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12/03/2008 11:10

Zapatero não sabe

Telefona Jean-Paul Lagarride, diz estar preocupado. Por quê? Explica ter muitos amigos socialistas, sem contar aqueles que incluem Marx entre os bons pensadores do século XIX. Segue-se o seguinte diálogo.

Eu – Não estou entendendo.
Ele – É que o Gabeira não acredita mais na dicotomia esquerda-direita. Parece que o Lula também disse algo parecido.
Eu – É a opinião deles, são duas pessoas inteligentes.
Ele – Pois aí está a questão. Os meus amigos não sabem que este negócio de direita acabou. The end.
Eu – Com todo respeito por seus amigos, talvez não haja razões maiores de preocupação.
Ele – Explique.
Eu – Zapatero, que acaba de ganhar as eleições espanholas, também não sabia. Segolene Royal, idem com batatas. Walter Veltroni, o Massimo d’Alema, sem falar de Fausto Bertinotti, líder di Rifondazione Comunista. Ainda há uns 10% de italianos que votam naquela que hoje é tida como extrema esquerda.
Ele – Claro, claro. Cabe perguntar-se que farão agora, ao descobrirem a inutilidade de sua briga.
Eu – Coitados, transitam entre o ridículo e o grotesco.
Ele – E o Obama? Mutatis mutandis...
Eu – (interrompendo) Bonito!
Ele – E você não sabe que citações em latim conferem grande prestígio a quem as faz? Mas eu ia dizer: e o Obama, analisado na moldura americana, não seria de esquerda? Pobrezinho, luta por causas perdidas.
Eu – Ainda bem que Norberto Bobbio já morreu. Deus houve por bem poupá-lo desse dissabor.
Ele – Vexame.
Eu – Vamos silenciar quanto ao fato de que quando saiu em português aquele ensaio do Bobbio sobre direita e esquerda, a dicotomia inextinguível, segundo ele, o então senador Fernando Henrique Cardoso foi visto pelos corredores do Congresso a carregar o tal livro.
Ele – Mas ele já estava perfeitamente a par do passamento, se não do Bobbio, ao menos das suas idéias.
Eu – Conforme Bobbio, os homens de boa vontade que se empenham sincera e desabridamente a favor da igualdade são de esquerda.
Ele – A liberdade não basta e a fraternidade a gente se dispõe a considerá-la uma quimera. Já a igualdade, bem, será que é necessária?
enviada por mino






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