06/03/2008 12:17
O terno de Raul
Respondo a Jaime Collier Coeli. Nada contra o senhor Armani e suas linhas de vestuário. Consta tratar-se de um grande criador de moda. A minha moda sempre foi a mesma, desde que enveredei pelo jornalismo, conquistado pela chance de aplicar grana conseguida com minha escrita em feitura de um terno azul marinho. Confecção de Nicola Canonico, alfaiate de origem napolitana, estabelecido à rua Marconi, em São Paulo. Nápoles produz filósofos, juristas, atores, cantores, alfaiates. Infelizmente, camorristas também. Ninguém é perfeito. Cheguei ao Canonico, é bom dizê-lo, aos dezesseis anos e tinha como indispensável comparecer aos bailes do sábado de terno azul marinho e camisa imaculada de punho duplo, a bem dos meus desempenhos dançantes, embalado pela orquestra de Silvio Mazzuca, no Clube Homs, à Avenida Paulista. Já então, entendia que a moda masculina é um horror. Que as mulheres tenham certas fraquezas admito de bom grado, por que lhes atribuo outras qualidades, soberanas, e não cogitem, ao interpretar minha fala, de um laivo machista. Nada disso, sempre achei as mulheres mais sutis, inteligentes, rápidas no gatilho do que os homens. Desde os tempos de escola. Nem se fale da supremacia feminina em matéria de sexo. Agora, cavalheiro que se rende aos ditames de Armani, e exibe a grife, posta-se inexoravelmente do lado oposto à elegância. Nem se fale se usa gravatas nas tonalidades da moda, amarelo e azul celeste. Se Raul cai nessa, mostra um lado medíocre. Admitamos, contudo, a possibilidade de que pessoas de alto nível intelectual não saibam escolher seus trajes. Resta ver se Raul pertence a esta categoria.
enviada por mino
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