17/03/2008 17:45
Não se trata de antipatia gratuita com a igreja
Meu caro Marinaldo Batista, a igreja católica foi um dos fatores, talvez o maior, da desunião da Itália. E este é o pecado mortal. Enquanto se formavam os Estados nacionais europeus, a península ali ficada, dividida em estadinhos e cidades-estado. Além disso, graças ao seu poder temporal, a igreja dominou a Itália central e ali manteve, sempre que possível, a ignorância que lhe convém. Se algumas ordens religiosas tiveram um papel destacado e positivo, como, por exemplo, os beneditinos e os franciscanos, esta contribuição civilizatória não se deveu ao poder central romano, mas à ação independente dos monges, que era cultos e letrados. São Francisco, grande santo e homem notabilíssimo, ou Santa Catarina da Siena, foram religiosos que contestaram esse poder central, corrupto e corruptor. Hipócrita e sedento de poder e prazeres terrenos. A Roma papa, a cidade do Papa-rei, foi corte esfuziante e devassa. Há, está claro, méritos na construção de um patrimônio artístico sem similares, não somente em Roma, mas também em toda a península. Sessenta por cento das obras de arte do mundo estão na Itália, em boa parte graças à ação de papas que se portaram como príncipes-mecenas, e a cardeais, bispos, cônegos, que lhe seguiam o exemplo. Sinceramente, o balanço da presença do centro da igreja na Itália não esbanja pontos favoráveis, e é por causa disso que o povo italiano é o mais blasfemo do mundo e conta com um exército de anti-clericais. Meu caro Marinaldo, não se trata de antipatia gratuita.
enviada por mino
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