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13/03/2008 17:20

A unidade da Itália. Unidade?

Respondo a José A. Matelli. Confesso: às vezes tenho dúvidas sobre a unidade italiana. As fraturas provocadas pela ausência de um Estado nacional no momento certo de muitas formas persistem até hoje. Se a Itália não se tornou uma França, uma Inglaterra, uma Espanha, em plena Idade Média, deve-se ao fato de que a Igreja ali se estabeleceu como poder temporal. E também às opções particulares dos senhores locais, que preferiam manter o poder às custas de um desenho maior. Isso tudo tornou a península terra de conquista, sujeita à soberania dos Estados mais fortes. A rigor, uma única região resistiu, o Piemonte da dinastia Savóia, e uma única cidade, Gênova, que acabaram por unir-se há mais de 200 anos. Diga-se que a Itália é peculiar. Definitivamente fora do padrão. O regime feudal a atingiu muito parcialmente. Na Idade Média teve cidades-Estado, como na Grécia antiga, as comunas, pioneiras de sistemas políticos avançadíssimos. Duas delas foram donas do Mediterrâneo e do comércio do Oriente, Veneza e Gênova, o primeiro banco é genovês e os Médici de Florença foram banqueiros da Europa. A Renascença começa na Itália duzentos anos antes do que no resto do continente, em todos os domínios, desde a filosofia e a poesia até as artes plásticas e a ciência. Os centros artísticos italianos fixaram as regras do mundo moderno, sem exceção da música, a começar pela definição das notas e a criação dos instrumentos. Nada disso correspondeu a algum gênero de supremacia política e o tempo não abrandou as diferenças, transparentes entre uma região e outra, entre uma cidade e outra, entre um vale e outro. As chamadas guerras do Risorgimento são, a bem da sacrossanta verdade, uma revolução de cima para baixo, como escreveu Antonio Gramsci. Conduzidas a partir do Piemonte monárquico, e opostas nos propósitos ao sonho de Garibaldi e Mazzini. A península só fez a sua revolução durante a segunda guerra mundial, ao se livrar de Mussolini. Mas a verdadeira unidade ainda é discutível e discutida. Não é por acaso, por exemplo, que a Liga Norte, separatista, manda em cidades e regiões da Itália, e que Berlusconi não dispensa sua aliança.
enviada por mino






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