06/03/2008 20:51
A Roma e eu
Muitos navegantes pedem minha opinião a respeito da vitória da Roma em Madri diante do Real. Sinto a solidariedade. De fato, no momento torço pela Roma no campeonato italiano, porque enxergo nela um time capaz de por em dificuldade o Milan de Berlusconi (que vai mal por conta própria) e a Internazionale de Moratti e Tronchetti Provera, o orelhudo peninsular. Disse no momento, e confirmo. Já no ano passado torcia pela Roma, time da cidade da minha avó paterna e minha preferida entre todas do mundo. Mas minha aprovação é contingente. A razão da preferência atual é de clara marca político-social.
Agora, vejamos. Acho a Roma uma squadra que pratica o futebol mais bonito da Itália, graças a um belo grupo de jogadores e, em parte larga, a um grande técnico, capaz de empregá-los ao sabor de esquemas tão eficazes quanto empolgantes do ponto de vista estético. O tal Spalletti sabe das coisas. Conhece futebol a fundo, não mais que a alma humana. Com ele, Doni tornou-se um excelente goleiro e Taddei um aplicado meio-campista, taticamente utilíssimo. Juan, ótimo zagueiro, com Spalletti vai crescer ainda mais, tenham certeza. Mancini, mais um brasileiro, tem muito talento e temperamento complicado, e Spalletti quase sempre consegue lidar com estas características dos pés e dos sentimentos. E reparem, Cicinho melhora a olhos vistos. Chegou à Roma com os defeitos de muitos laterais brasileiros, muito mais atacantes do que defensores, e agora aprende, com diligência, a atuar nas duas fases. Não duvido que ainda se torne um meio-campista, domínio de bola para tanto ele tem, e atração pelo gol.
Assisti o jogo Real-Roma na ESPN Internacional. Perdoem, mas é dureza deixar o áudio aberto, a quantidade de bobagens pronunciadas pelos locutores e comentaristas, com desfaçatez ímpar, é algo de arrepiar. Dizem antes da contenda: os espanhóis, que entendem demais de futebol, estranharam a ausência de Pizarro, que Spalletti não escalou. Segundo os espanhóis, Pizarro é o melhor da Roma, enquanto a mídia nativa acha que o Real já ganhou. Logo viram-se obrigados a enaltecer o desempenho de Aquilani, substituto de Pizarro em Madri e uma das mais importantes revelações do futebol italiano.
De todo modo, ainda não perceberam como a Roma se porta, em função das aptidões dos seus jogadores. O time joga pelo chão de primeira sempre que possível, e seu ponto mais forte para confundir o adversário é a falta de ponto de referência. Totti não tem o vigor de outros tempos, dispõe, porém, de visão excepcional. Não se trata de um centro-avante, está claro, e sim de um distribuidor nas cercanias da grande área. E então o adversário descobre a contragosto a existência de vários centro-avantes. Mancini, Taddei, Perrotta, até Cicinho pode ser.
Os laterais fazem seu dever, e o meio-campo, frequentemente apinhado, é fundamental. Ali, De Rossi e Aquilani são craques indiscutíveis, um destrói, o outro arma. Anotem os nomes, a parelha vai longe. Mérito de Spalletti, armou um time com o material à disposição. E reparem: o Real (como Milan e Internazionale) investe anualmente cerca de 300 milhões de euros na contratação de jogadores, salários e prêmios. A Roma não passa de umas poucas dezenas. Contratou Juan e Cicinho por algo em torno de 8 milhões cada, e o Real gastou 30 para ficar com Pepe.
enviada por mino
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