28/02/2008 12:19
Tartufices folhescas
A Folha de S.Paulo de ontem coloca o pelo no ovo. Página 6 do caderno A, de um destes jornalões brasileiros que pesam inúteis quilos de papel de péssima qualidade mas impresso a cores. Lê-se ali que Lula errou ao citar uma frase de um dos ditadores de plantão dos tempos idos, no caso Ernesto Geisel. O presidente da República disse ao falar aos empregados da Thyssen Krupp CSA, em Santa Cruz, Rio de Janeiro, que Geisel inventou a democracia lenta e gradual. A Folha corrige: não foi bem assim. Geisel destacou que promoveria o máximo de desenvolvimento econômico, social e político com o mínimo de segurança indispensável. Até parece que a Folha gostou muito do governo Geisel. De todo modo, e para variar, tudo vale para pegar no pé presidencial. Geisel é personagem condenável de inúmeros pontos de vista, mesmo porque não se deu conta da evolução dos fatos à sombra do seu comando. Comando? Em uma extenuante entrevista publicada em livro faz anos (um desses livros que derrubam criados-mudos), Geisel orgulha-se dos feitos econômicos da sua temporada no poder, sem perceber que então nasceu a distensão, depois chamada abertura. Ou seja, o processo pelo qual a ditadura se esvaiu em suas próprias contradições. O general não passava de um pobre diabo, que ao sair da presidência levou para casa os presentes recebidos dos visitantes estrangeiros em missão especial: tapetes, vasos chineses, etc.etc. De todo modo, é do conhecimento do mundo mineral que a definição foi a seguinte: distensão lenta, gradual, porém segura. Assim como é do conhecimento que a Folha estava pronta a apoiar a candidatura do general Silvio Frota para suceder a Geisel. E aí, o mundo mineral continua inteirado do fato de que, nomeado Frota, a distensão goraria de vez. Ou pelo menos, por um tempo infinitamente mais esticado do que aquele que efetivamente se deu. Impagável, e mesmo soberba, a tartufice do Folhão.
enviada por mino
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