28/02/2008 20:34
Os encantos de Gênova
Desta vez li páginas de um jornal nativo. Várias páginas do caderno de Turismo da Folha de S.Paulo, dedicadas a Gênova, a cidade em que nasci. Belo trabalho, simpático, cordial e, de um modo geral, preciso, com incursões válidas pela história e pela cultura. Pequenas incorreções na grafia dos nomes e uma legenda errada na segunda página: em lugar da área portuária ao lado do aquário do porto, como soletra o texto impresso sobre a foto de tamanho alentado, vê-se a marina de Portofino, lindíssimo recanto, situado, porém, fora do perímetro municipal de Gênova. Espécie de arrabalde de mil encantos, onde, aos seis anos, convalesci de um ataque de tosse comprida. Muito bem esclarecido na capa do caderno que Gênova escapa das rotas turísticas convencionais. É verdade, e é inexplicável. A cidade é severa e altiva, rica em monumentos notáveis, arredores deslumbrantes, topografia singular. Não estou a exagerar nos adjetivos. Gastronomia extraordinária, com inflexões transparentes da cozinha árabe e infinitas variações sobre temas únicos, inclusive no que diz respeito aos gêneros alimentares. Oportuna a referência ao Mercato Orientale,de fato uma atração, nunca deixo de visitá-lo quando volto à infância. Só não concordo com a idéia de que o Vermentino ligure (há também o da Sardenha) é o vinho que melhor acompanha o pesto. Nada impede que o acompanhe, mas eu não dispensaria outros. Por exemplo: o Dolcetto dAlba, tinto leve piemontês, ou mesmo um Rossese, também tinto, da Liguria do poente. Diga-se que a região não se compara a outras italianas em matéria de vinho, embora o Pigato di Albenga seja um branco respeitável. A meu ver, melhor que o Vermentino ligure. Enquanto há Vermentini sardos excepcionais.
enviada por mino
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