Mino Carta - dirigiu as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, Istoé e CartaCapital, da qual é diretor de redação.


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28/02/2008 18:14

O doutor Watson analisa o 1º escrutínio

A Comissão Organizadora do Festival do Tartufo Nativo decidiu que a melhor análise dos resultados do primeiro escrutínio, divulgados ontem, teria de caber a personalidade muito qualificada. Optamos pelo doutor Watson, o qual é, insofismavelmente, o verdadeiro Sherlock. Provas cabais desta sua condição foram acumuladas nos últimos tempos por pessoas íntimas do casal. O próprio Conan Doyle confessa: “errei sim ao contar um Watson improvável, busco agora o perdão dos leitores e dos admiradores de Holmes, pois toda admiração tem é de ser devotada à figura do doutor, a despeito do seu precavido e esperto low profile”. A confissão remonta ao fim da semana passada e chegou em boa hora. E nós, que acreditamos no destino, não hesitamos em recorrer a Watson para nos iluminar, e aos eleitores do Tartufo Nativo. Encontrei-o, via telefone, em uma vila escocesa, próxima ao lago de Lock Ness, onde se encontra para a investigação definitiva a respeito do célebre monstro que habitaria aquelas águas. Sherlock o seguiu como um setter fiel, mas sua presença, as always, é inútil, passa os dias a fitar o vácuo enquanto fuma cachimbo, se não for coisa pior. Watson é cordial e risonho, e ouviu com atenção as explicações que cuidei de fornecer sobre a nossa iniciativa. Perguntei-lhe que achava. “Excelente idéia, meu caro mister Carta – disse – , só posso aprová-la a partir do meu conhecimento da situação brasileira”. “Conhecimento profundo”, comentei. “Bondade sua – comentou –, mas devo admitir que tenho acompanhado com extremo interesse os eventos no Brasil, país bastante peculiar, se me for permitida tal observação”. Permiti de bom grado, e passei a ilustrar em detalhes as razões do meu chamado, a mando da Comissão Organizadora. Resumo as observações do doutor Watson.

- Causa surpresa a ausência de alguns nomes, e entidades, estranhamente esquecidos pelos eleitores. Alguns exemplos: o escritor Paulo Coelho, o Apóstolo e a Bispa da Igreja Renascer, a TV Cultura na gestão atual à sombra do governo Serra, Edmar Cid Ferreira, alguns marchands e donos de restaurantes metidos a chefes, inúmeros publicitários graúdos.

- Fernando Collor de Mello faz jus a um grande, especialíssimo destaque, bem como aqueles jornalistas que impulsionaram a sua candidatura à presidência do Brasil e criaram o slogan “caçador de marajás”. Diz Watson: “Os donos da mídia lá estão, mas alguns dos seus mais notórios sabujos não dão o ar da sua desgraça”.

- Ricardo Teixeira, João Havelange et caterva merecem apoio incondicional dos cultores do futebol e das artes do engodo, nos seus níveis mais baixos. No entanto, estão mais ou menos na sombra, conforme o primeiro escrutínio.

- Outras figuras encontram-se na mesma situação, meio apagadas. Três exemplos marcantes, segundo Watson: os ministros Helio Costa e Nelson Jobim, bem como a juíza Ellen Gracie.

Agradeci comovido, fiz votos de sucesso à missão à beira do lago, e me despedi com efusão.
enviada por mino






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