19/02/2008 13:19
No Brasil não sou elite
Um navegante acusa-me de ser figura da elite que deita falação contra a própria. Minha extração, meu caro senhor, é a da classe média européia. Meu pai era formado em Direito e jornalista, minha mãe era formada em Letras. Meu avô paterno em Letras pela Universidade de Bolonha, a mais antiga do mundo, e em Direito pela Universidade de Pádua, a segunda mais antiga. Meu avô materno era jornalista. Até onde chego ao vasculhar o passado da minha família, tropeço em acadêmicos e marinheiros. Estudei na Itália até o terceiro ginásio, que completei com 12 anos. Nunca fui bom aluno de latim, passava apertado, bastou-me, porém, o que aprendi para entrar aqui na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco com nota 10. O tema da minha prova final de Italiano foi o seguinte: Analise a figura de Ulisses conforme Homero na Ilíada e na Odisséia e Dante no Inferno. Não há gente abastada na minha família, tampouco nobre, em compensação sobra um bom número de intelectuais orgânicos, como diria Antonio Gramsci. Li Dickens entre os 8 e os 11 anos, Laurence Sterne e os russos com 14. Sinto, meu caro senhor, mas esta é a verdade factual. Não sou elite no sentido brasileiro da palavra. Esta elite, a nossa, é predadora, ignorante, vulgar, primária, arrogante, feroz. Gosta de ostentar. Um terno bem cortado, uma gravata bem escolhida, um vinho bem tomado cabem perfeitamente no rol dos comportamentos de um anarquista com meus antecedentes, e de inúmeros outros esquerdistas, ou progressistas, chame-os o navegante acusador como quiser.
enviada por mino
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