20/02/2008 19:30
Difícil é entender raciocínios filosóficos
Um jovem cientista italiano, Michele Luzzatto, acaba de publicar um livro intitulado Preghiera Darwiniana, oração darwiniana. Comovida manifestação a favor do naturalista inglês redigida com linguagem que não se opõe a convicções religiosas de inspiração bíblica. O texto aborda a questão da divindade, e o sentido do Todo, desde que o tenha. Sustenta Luzzatto: Darwin mostrou apenas que Deus não pode ser aquele trabalhador braçal do imaginário coletivo que brinca com a argila e cria os homens e o mundo. Deus pode não existir, admite o cientista, ou poderia ser, apenas e tão somente, nada mais que a própria natureza, nada mais daquilo que é. Lembrei-me do tempo em que repetia à exaustão, qual jaculatória da Benção, uma frase de Hannah Arendt: Não há esperança de sobrevivência humana sem que haja homens dispostos a dizer o que acontece, e que acontece porque é. Um célebre jornalista nativo, condecorado em praça pública por serviços prestados à Marinha (à Marinho?) pelo então ministro Rademacker (memórias do tempo perdido), comentou então, em página de jornal, que aquela citação era o único, exclusivo sustentáculo da minha miséria cultural. Outro celebre jornalista afirmou que eu inventara a frase, a qual, no entanto, carecia de qualquer significado. Que quer dizer e que acontece porque é? Pois é, difícil é entender raciocínios filosóficos, movidos inclusive pela compreensão de que o tempo não passa de invenção do homem. O sempre, o eterno, o inextinguível, é aquilo que é.
enviada por mino
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