07/02/2008 20:19
As eleições antecipadas na Itália
Enquanto a Comissão dos Negócios Econômicos da União Européia aprova as contas italianas e o Financial Times define como excelente o ministro da Economia do governo Prodi, Tommaso Padoa-Schioppa, o presidente da República, Giorgio Napolitano, dissolve as câmaras e convoca eleições antecipadas. Dentro de 70 dias, conforme a Constituição, na prática para os dias 13 e 14 de abril próximo.
As razões do Financial Times: Padoa-Schioppa botou ordem no balanço (antes agredido pelo governo Berlusconi) e aplicou-se para debelar a evasão fiscal. As razões de Napolitano: a tentativa de formar um governo de transição liderado pelo presidente do Senado, Franco Marini, malogrou por causa da oposição direitista e de grupos de extrema-esquerda, e não sobrou outra solução fora do pleito antecipado.
Faltou, esclarece o presidente, um acordo sobre a reforma da lei eleitoral, aprovada no final do governo Berlusconi e definida pelo seu próprio formulador, o separatista Roberto Calderoli, como la porcata. Não se trata de sinônimo de porcaria, mas de algo muito mais próprio da vida suína. Responsabilidade do governo de centro-esquerda não ter resolvido o problema a tempo, para se ver agora a enfrentar os adversários ao sabor da porcata.
Napolitano não deixou de acentuar que as eleições antecipadas representam uma anomalia, um desvio capaz de ter graves conseqüências sobre a governabilidade do país. O qual passa a ficar exposto ao retorno da direita berlusconiana, que, além de desarranjar as contas, apoiou a Guerra do Iraque. E hoje novamente unida pela mera ambição do poder.
enviada por mino
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