16/01/2008 12:59
Tudo como dantes. Ou como Dantas?
Tempos da presidência FHC. O BNDES decide entregar grana conspícua à Globo, na moldura de uma daquelas operações que caracterizam o capitalismo sem risco. Diga-se que já prestara sua colaboração para a construção de um hotel de luxo. Não hesitei. Deixei-me enfaixar por um terno cinza na tonalidade smog londrino, enverguei camisa de listras fins dotada de crocante colarinho branco da altura aproximada das muralhas da antiga Roma, dei nó à gravata fulgurante, fiz emergir do bolsinho do paletó um lenço do tamanho de um pára-quedas a faiscar na treva desenhos cashemere, a ponta dos sapatos pretos poderia substituir a luz elétrica e outras mais. Impávido, tomei o rumo do programa Conversa Afiada que Paulo Henrique Amorim tinha na Tevê Cultura de São Paulo. Deste estrito ponto de vista, eram bons tempos, meu amigo estava no vídeo. E lá fui eu, devidamente instruído pelo professor Belluzzo para desfiar na conversa de gume amoladíssimo expressões retumbantes, tais como business plan e cash flow. E disse a Paulo Henrique da intenção de CartaCapital e da Editora Confiança de recorrer ao BNDES para obter uma injeção assim como fora aplicada na Globo, embora proporcional às nossas modestas dimensões. Mantive no rosto a expressão de Buster Keaton, nem sempre o entrevistado exibe aquela de Jim Carrey. Foi uma noite inolvidável, ao menos para mim, e creio, para Paulo Henrique. A lembrança me ocorre diante da generosidade do atual BNDES, tempo de Lula, disposto a municiar Sérgio Andrade e Carlos Jereissati na compra da Brasil Telecom. O tempora, o mores. Pasmem, tudo como dantes. Ou como Dantas?
enviada por mino
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