28/01/2008 18:15
Tsonga não é Muhammad Ali
Os mídias do jornalismo começam a virar publicitários do dinheiro investido no esporte. Por exemplo, apresentam o tenista francês Tsonga como o Cassius Clay das quadras, aquele Cassius Clay que escolheu ser Muhammad Ali. Ora, este foi o extraordinário inventor de um estilo de boxear, inesquecível e único, além do mais dotado de notável vocação histriônica. Personagens de enorme personalidade. Não me empolgo com boxe, e até me pego, freqüentemente, a lamentar a versão contemporânea da luta dos gladiadores. Mas a luta entre Muhammad e George Foreman fica para mim como perfeita representação do eterno enfrentamento entre a inteligência e a força. Não acrescento bruta, porque Foreman também foi um grande pugilista. Atacou o tempo inteiro, castigou o adversário sem pena e sem pausa. Muhammad agüentou, sentado nas cordas, à espera do momento fatal. Em um relâmpago, o outro se descuidou, e de repente de pé acertou-o no queixo. A montanha de músculos desabou com um baque de trovão. Aí está. Pode ser que alguma semelhança física entre Tsonga e Muhammad Ali seja perceptível. Mas o francês não inventa coisa alguma, bate na bola furibundamente, recorda os amoladores de faca, como diria Gianni Clerici.
enviada por mino
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