08/01/2008 18:17
Sobre o perfil de José Dirceu na Piauí
Leio na revista Piauí um saboroso retrato de José Dirceu, obra de Daniela Pinheiro. A moça sabe escrever, entendo eu, e o ex-ministro é figura interessante. Sai das páginas como cidadão frio, determinado, vaidoso e razoavelmente provinciano. Diria meu neto: ele se acha. Formoso, garboso, luxuoso. Mas também sabe controlar as emoções, e exercita sua mente política mesmo quando faz negócios. Sobre o provincianismo direi que cavalheiros do mundo e de fino trato jamais exibem as grifes e penteiam-se em público. Graças à leitura, confirmei a antipatia de Dirceu por Tarso Genro e pelo PT gaúcho em bloco, bem como a simpatia por Delúbio Soares. Sei que ele desmentiu não gostar do Lulinha, filho do Lula, e sim de outro com o mesmo nome, se bem entendi jornalista. Dá-se que no texto da Piauí ele faz referências desairosas em relação ao primogênito do presidente. Se não é este o Lulinha visado, por quê Lula teria se queixado com seu ex-ministro em conversa intra muros? Salvo melhor juízo, foi ele mesmo, Dirceu, quem contou o episódio à repórter que o acompanhou dias a fio. Verifiquei ainda que o homem ganha grana ingente ao fazer negócios graúdos mundo afora, vasto mundo, encantado, suponho, com seus poderes e influências aqui nas nossas bandas. Tão bem de vida, que pode-se permitir alugar aviões para deslocações intercontinentais urgentes. Não sei da seriedade do seu apreço pela candidatura de Ciro Gomes em 2010 e de sua fé no preparo de José Serra para o cargo presidencial. Pareceu-me claro, em contrapartida, seu receio de que Dilma Rousseff acabe por empolgar a candidatura petista nas próximas eleições. Não é certamente por acaso que a cita ao lado de Marta Suplicy, cujo marido não tem em boa conta. E por aí afora. Não creio que o retrato perderia se fosse mais conciso, aprendi bastante, contudo. Anoto apenas uma falha, a meu ver grave. Por quê, ao privar com sua personagem por largos dias, a repórter não lhe perguntou a quantas andam suas relações com Daniel Dantas? O banqueiro do Opportunity é protagonista central da cena nativa. Beneficiado pela doutrinação midiática e pelo dom da ubiqüidade, prefere o bastidor mas está sempre na ribalta. Ou por outra, está em todas. A retratista não pode ignorar as ligações de Dirceu com o orelhudo, perdeu, porém, a oportunidade de fechar o cerco quando o retratado declarou detestar a TIM.
enviada por mino
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