23/01/2008 20:52
Paulo Patarra se foi
Eis uma notícia que me causa enorme tristeza. Paulo Patarra se foi. Estive com ele não faz muito tempo e foi muito bom. Acho que havia entre nós um entendimento profundo, a transcender as palavras trocadas, algo assim habilitado a transitar por zonas misteriosas onde raciocínio, intuição, e afeto se confundem. Não via o Paulo há anos e ele se fez preceder por um bilhete em que me definia como o melhor chefe da minha vida. Relato, comovido. Nem ouso dizer, orgulhoso. Paulo referia-se ao nosso tempo da Quatro Rodas, começos de 1961, época de grandes experiências e esperanças. Vieram juntos, Paulo e José Hamilton Ribeiro, repórteres excepcionais, indispensáveis para o êxito da revista, que, graças a eles, chegou a ganhar dois prêmios Esso nacionais por equipe. Patarra, o bom e agudíssimo Patarra, bom no sentido de generoso, corajoso, correto até os limites extremos. E jornalista completo. Falo de cátedra, por que acabou como meu braço direito na Quatro Rodas, a partir de 1964. Depois provou de vez seu talento universal como redator-chefe da Realidade, êxito jornalístico extraordinário, a partir de 1966. Ele era fisicamente frágil, muito forte por dentro. Recordo que compusemos uma ala esquerda aguerrida, ele na ponta, eu na meia. Tenho uma foto do embate da Quatro Rodas contra a Última Hora, se bem lembro. O nosso time perfilado, José Hamilton e Duque Estrada, que me acompanha em CartaCapital atuavam na defesa, e Expedito Marazzi, e Pedro Cortizas, e Miltainho, e o Werneck, o carioca, jogava o fino. Tínhamos no rosto o sorriso da juventude. Hoje não vou pegar aquela imagem, deixo para outro dia.
enviada por mino
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)