Mino Carta - dirigiu as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, Istoé e CartaCapital, da qual é diretor de redação.


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16/01/2008 12:06

Maquiavel liga para perguntar sobre Dirceu

Desta vez quem liga é Machiavelli, de Monteriggioni. Pergunta, sem preâmbulos: “Por ventura o senhor teria dito no seu blog que o ex-ministro e presidente do PT José Dirceu se parece comigo?”. “Não, está claro que não”, respondo. “Mas é o que leio em algumas reações ao seu post”, retruca. Percebo a contrariedade no tom de voz. Não excluo que o grande e grave humorista se sinta ofendido. Apresso-me a esclarecer: “Eu disse apenas que José Dirceu não é a encarnação do príncipe Valentino mas pertence à categoria dos políticos que buscam o poder com a exclusiva certeza de que o fim justifica os meios”. Largo silêncio do outro lado da linha. E eu ansioso, do lado de cá. “Quer dizer – comenta enfim Maquiavel, – que o pessoal não entendeu”. Pois é, digo eu, aliviado. “Ainda bem – admite, – que o senhor não tenha dado um passo em falso, quanto à falta de compreensão, estou acostumado, na análise do príncipe patrão, do senhor indiscutível, faço um exercício de frieza, de realismo feroz, ao expor uma personagem que concebe o poder de mão única. Mas certamente o senhor Dirceu está longe de ser este príncipe”. Acrescento: “E está longe de se confundir com o senhor”. Ele conclui: “Bem, isto seria demais. Aliás, é comum que quem não leu o Príncipe suponha tratar-se de um livro autobiográfico”.
enviada por mino






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