09/01/2008 19:17
Mais Dirceu
Chovem reações ao post sobre José Dirceu. Assunto de notáveis ecos. Clangorosos. Certa, portanto, a Piauí, a lhe fazer o retrato. Do caldo das observações dos internautas interessados, vêm à tona as respostas a muitas perguntas. Importa-me, apenas, esclarecer um ponto: nada tenho, no plano pessoal, contra o ex-ministro, comigo sempre simpático e cordial. Permito-me a análise da personagem pública porque tal é o papel que me cabe, como jornalista. Diz a internauta Waleria que Dirceu pensa politicamente, mas, sublinha, política não se resume à busca do poder. Nela inclue-se a busca de justiça. Certo, certíssimo. Sugiro, contudo, a leitura de Maquiavel, aquele excepcional humorista, capaz de retratar nos detalhes o líder, o capo-di-tutti-i-capi, voltado ao respeito canino pelas razões da Política. O jovem Dirceu arrostou gravíssimos riscos em nome dos ideais, e eu não vou levantar dúvidas a respeito. Os indivíduos mudam, porém, ao longo da vida, sobretudo animais políticos como Dirceu. Não insinuo que ele seja a encarnação do Príncipe Valentino. Receio, no entanto, que a busca de justiça empalideça ao sabor do fim buscado, a justificar os meios de alcançá-lo. Por quê, por exemplo, Daniel Dantas até hoje não foi julgado? Por quê até agora não foi aberto o disco rígido apreendido pela Polícia Federal nos escritórios do Opportunity faz quase quatro anos? Eu ouvi de importantíssima figura governista faz algum tempo, a frase seguinte: Se abrirem o disco rígido, o País pára por dois anos. Seria esta a justiça perseguida impavidamente pelos políticos nativos, pelo menos pela larga maioria dos políticos nativos?
enviada por mino
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