Mino Carta - dirigiu as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, Istoé e CartaCapital, da qual é diretor de redação.


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06/12/2007 20:18

Sobre ironia e gravuras de demônios

Recomendava Raymundo Faoro, em nome da amizade: “Não exagere na ironia, a maioria não entende”. De fato. Já houve quem condenasse a versão que CartaCapital apresenta às vezes do banqueiro Daniel Dantas: com a ajuda do computador, estico-lhe a orelha direita, recurso irônico para justificar sua obsessão de orelhudo, a grampear Deus e o mundo. Pois é, não faltou quem achasse que explorávamos um defeito físico real. Na próxima edição de CartaCapital, que em São Paulo vai às bancas amanhã, publicamos uma gravura de Gustav Doré, ilustração da Divina Comedia de Dante, apresentando-a como flagrante de Hugo Chávez colhido por fotógrafos da imprensa nativa. Trata-se de Lúcifer, com suas largas asas de morcego, retratado por Doré em pose meditativa. Diz, porém, a legenda que ali está o coronel pára-quedista, a refletir sobre a derrota. É como o próprio demônio que a mídia nativa enxerga Chávez, não é mesmo? Mas temo que alguém que se queixe, por que não se trata de uma foto, e sim de uma gravura. Ou que condene CartaCapital por ridicularizar o comandante. Tudo é possível, no país que, em matéria de ensino, só tem certeza de ficar na frente do Quirquistão.
enviada por mino






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