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13/12/2007 19:38

No que diferem Kirchner e Putin de Chávez e FHC?

Na segunda-feira 10, Cristina Kirchner assumiu a Presidência da República argentina enquanto o presidente russo Vladimir Putin nomeava seu sucessor para as eleições de 2 de março próximo, o vice-premier Dmitri Medvedev. Em ambos os casos, temos exemplos de como conservar o poder sem imitar Hugo Chávez ou Fernando Henrique Cardoso.
O coronel pára-quedista optou pela solução do referendo a fim de pôr em prática seu projeto de Presidência vitalícia. O pára-quedas não abriu. Mais atilado, o príncipe dos sociólogos apostou na venalidade de inúmeros parlamentares nativos, comprou-lhes os votos e conseguiu seu segundo mandato.
Néstor Kirchner singra o mar das tradições portenhas. Entronizou a mulher na certeza de que família unida jamais será vencida. Mais comedido do que Chávez, Putin contenta-se em prosseguir no leme até 2024, segundo os cálculos dos russólogos. O candidato Medvedev já anuncia que, eleito, chamará o ex-agente da KGB para formar o novo governo, e o revezamento tem ótimas chances de se prolongar tempo adentro.
Algo capaz de provocar surpresa haveria de ser a diferença dos comentários da mídia nativa em relação às figuras acima citadas. Com a exceção de FHC, cujo lance de arroubo político-financeiro passou como neve ao sol debaixo dos olhos da mídia verde-amarela, convencida de que o fim justifica os meios. Dizia Hannah Arendt que, omitida, a verdade factual, soçobra de vez como barco furado.
Claro está que Putin mora longe, e que um acidente de tráfego na esquina comove mais do que um terremoto em Bangladesh. Mesmo assim, o homem forte da Rússia pós-soviética é, na visão do mundo, personagem muito mais imponente, e potencialmente perigosa, do que o coronel pára-quedista. No entanto, Chávez é o próprio Senhor das Trevas e Putin se confunde com personagens menores da literatura russa.
Kirchner mora perto e não faltam objeções à manobra bem arquitetada que leva à Presidência dona Cristina. Brandas, contudo, suaves. Temperadas, eventualmente, por um sorriso de complacência, a beirar a admiração pela astúcia. Sem a pretensão de medir a ameaça à democracia de 18 quilates representada pela ação de uns e outros, quem é a mídia nativa para deitar falação sobre o assunto?
No mesmo dia 10,vieram a público os resultados de uma pesquisa realizada pela BBC World Service entre 11.344 pessoas em 14 países. Liberdade de imprensa, o tema. Reconhecida como indispensável por 56% dos entrevistados. Nos países de maior desequilíbrio social a percepção negativa da mídia atinge os níveis mais altos. No Brasil e no México e também na Rússia.
Oitenta por cento dos pesquisados no Brasil entendem que a opinião e os interesses políticos dos patrões dominam o noticiário. Na Venezuela, onde, segundo os editoriais dos nossos jornalões, Chávez assalta a liberdade de imprensa, a porcentagem é menor, 60%. O resultado colhido no Brasil é o mais impressionante. Apenas 19% dos entrevistados acreditam que o patrão não interfere no trabalho jornalístico.
Resultado que haveria de preocupar a mídia nativa. Anima, porém, CartaCapital.
enviada por mino






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