19/12/2007 19:50
Já temos o nosso Robespierre
Liguei para Tocqueville, está em Honfleur, onde alugou a casa de um pescador. Propus a seguinte questão: Ocorre-me uma tese: a revista Veja é a própria revolução em marcha, é uma revista jacobina. Ele não sabia da existência da Veja. Fiquei pasmo: Como assim? A quarta maior semanal do mundo, infinitivamente mais importante que a The Economist, de tiragem inferior. O planeta curva-se diante da publicação da Abril. Confessou a lacuna, cuidei de ilustrá-lo a respeito das façanhas da Veja, sem omitir referências exaustivas à última edição, com reportagem sobre o enterro da CPMF. Celebrado como um presente de Natal para este país sofrido, enfim habilitado a uma larga gastança em presentes e iguarias. Havia ali uma clara alusão aos sans-culottes, ou eu estaria errado? Pois Tocqueville concordou e entendeu meu raciocínio. Disse-lhe que o Brasil ainda não viveu a Revolução Francesa, e também da minha convicção de que a brisa iluminista sopra há algum tempo, a partir dos estúdios da Globo e das páginas de Veja, sem falar da contribuição dos editoriais dos jornalões, verdadeiros monumentos do jornalismo universal. Acabamos por nos empolgar com o assunto, bem como com as perspectivas. Lá pelas tantas, ele perguntou: Mas a quem caberia o papel de Robespierre? Sugeri o nome de Robert Civita, também conhecido como arci. E Tocqueville: Arci? Se fosse em italiano seria arci-ousado, arci-brilhante, ou seja, super na ousadia e no brilho. Não, não, em inglês, sugeri. RC em inglês, a língua que o próprio domina. Forneci o currículo do editor. Ao cabo, ele disse: É mesmo, tem o perfil de um Robespierre, talvez, de certa maneira, mais completo na ação, mais abrangente. Quer dizer, vai surgir em cena, e já surge, antes da época em que Robespierre chegou à ribalta, a se levar em conta a cronologia da Revolução Francesa. E ouça meu vaticínio: em um dia desses, ele comandará a Tomada do Palácio do Planalto.
enviada por mino
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