14/12/2007 18:16
Duque e a placa
O Fórum Permanente dos prisioneiros e perseguidos políticos da ditadura incluiu-me generosamente na lista dos agraciados com uma placa dourada conferida àqueles que demonstraram coragem na resistência. Sei que como jornalista e como cidadão, cumpri apenas meu dever, mas fiquei orgulhoso. E honrado. Não é retórica. A cerimônia da entrega deu-se ontem, quinta-feira, dia mais pesado em CartaCapital, cuja edição fecha na madrugada de sexta. Estava impossibilitado a comparecer, encontrei, porém, o substituto ideal: o diretor de Arte George Duque Estrada, velho companheiro de inúmeras aventuras jornalísticas, e outras mais, do cotidiano dos indivíduos que gostam de conversar noite adentro. Duque figurou entre os presos sem mandado, na pura prepotência, em outubro de 1975, encapuzados nos porões do DOI-CODI da rua Tutóia e muitos deles torturados. Um, Vlado Herzog, até a morte. No dia da prisão de Duque eu inaugurava uma exposição de pintura no Masp. Autor do catálogo, ele mesmo. Também impossibilitado a comparecer, por razões infinitamente mais graves e inquietantes do que as minhas, trinta e dois anos depois. Felizmente, ontem estava lá, para receber a minha placa. Quando voltou à redação, carregando-a, não faltou emoção na hora de ganhá-la das mãos do Duque.
enviada por mino
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