06/12/2007 18:34
Algumas histórias sobre o Prêmio Esso
Leio que o Prêmio Esso está ainda vivo, pensei que estivesse morto. Já participei nos tempos da Quatro Rodas, que ganhou dois Esso nacionais por trabalhos de equipe. O primeiro sobre Salvador, o segundo sobre o Rio de Janeiro. Na equipe figuravam grandes repórteres, entre eles Paulo Patarra e José Hamilton Ribeiro. Éramos todos bem novos. Em 1967, já como diretor de redação do Jornal da Tarde, fui chamado para a comissão julgadora. Recordo que as escolhas se processavam em clima tranqüilo, sem arreglos e conchavos. Mais uns anos galoparam, e tudo mudou. O Esso passou a se pautar pela regra do toma-lá-dá-cá. Pelo acerto prévio: este ano é meu, no ano que vem é seu. Agora você leva este, e eu levo o de outra categoria. Nunca mais participei. Se alguém das redações que dirigi quisesse comparecer, podia fazê-lo, em nome de si próprio. Um exemplo clássico da tramóia deu-se em 1992. A equipe da sucursal de Brasília da Istoé, à época sob meu comando, quis inscrever a memorável reportagem sobre o motorista Eriberto, aquele cidadão disposto a fornecer as provas da ligação entre a Casa da Dinda e PC Farias. Graças à matéria, Fernando Collor teve de entregar os pontos. Até então, o fim inglório da CPI parecia inevitável, na falta de provas. A equipe de Brasília inscreveu-se, mas o Esso foi para Veja, que publicara meses antes, em abril, a entrevista do irmão do presidente. Faço questão de lembrar que Pedro Collor nada acrescentara, um ano e meio depois, a outra reportagem memorável, de autoria de Bob Fernandes. Saiu em Istoé no final de outubro de 1990 e ali se registrava tudo o que o irmão diria um ano e meio depois, com exceção dos supositórios de cocaína. A importância das duas reportagens de Istoé, a de 1990 e a de 1992, é clara até para o mundo mineral. No caso da primeira, no momento em que fechávamos a edição, fui procurado por um jornalista conhecido, trabalhara comigo muitos anos antes, reputava-o confiável e competente. Transformara-se em lobista e vinha a mando da ministra Zélia. Propunha, simplesmente, o arquivamento da reportagem. Apontei-lhe a porta da saída. Umas duas horas após, o próprio dono da Editora Três, Domingo Azulgaray, foi alvejado por propostas em dinheiro. Muito dinheiro. Honra seja feita ao patrão, resistiu e a revista saiu sem qualquer retoque. Istoé tinha uma tiragem de 300 mil exemplares e bastante peso político. Mesmo assim, não pertencia ao clube dos grandes, e estes é que decidem a sorte do Prêmio Esso.
enviada por mino
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