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23/11/2007 19:17

Sir Anthony Eden comenta a elegância de Mares Guia

Liguei para Sir Anthony Eden, pretendia falar do ex-ministro das Relações Institucionais de Lula, Walfrido dos Mares Guia. Ora direis: que tem a ver Sir Anthony com o caso do mensalão mineiro? De fato, nada. Tem a ver, porém, com o senhor Walfrido. Na minha opinião. E explico: o ex-ministro esmera-se, transparentemente, em termo de elegância, nos trajes e no porte. E Sir Anthony, além de ter sido chanceler de Churchill e, em seguida, primeiro ministro do Reino Unido, era também mestre de elegância. O político mais aprumado, com implacável naturalidade, do século passado. Achei-o na sua casa de campo, velha mansão familiar, cercada por relvados bem penteados, por onde passeia de roupa esportiva, paletós de tweed, calças de flanela, um foulard MM em volta do pescoço, sapatos de camurça de sola reforçada. Previamente usados três meses a fio por seu butler. Surpreendeu-se um tanto com a minha pergunta sobre Mares Guia, sem deixar transparecer, no entanto, seu compreensível desinteresse, prontificou-se a esclarecer certo desconhecimento em relação ao mensalão mineiro. “Certo, certíssimo, Sir Anthony – disse eu, este não é o meu assunto, gostaria de conhecer a sua opinião a respeito da elegância de Mares Guia”. Tenho certeza de que ele sorriu com condescendência. Respondeu: “O ex-ministro se esforça, seu denodo, seu empenho, são comoventes”. Quer dizer que... “Bem, não podemos dizer que ele é um Brummel, o corte dos seus ternos não chega a ser impecável, embora seja justo reconhecer que escolhe os tons escuros de vez em quando”. E as gravatas? Parece ter desabusado pendor pelas gravatas dispostas a estabelecer um contraste relativamente forte com a cor do terno. “Sim, verifiquei amiúde que aprecia gravatas azul turquesa e duvidosas regimentais, devo confessar, porém meu maior receio é de que goste de exibir a grife”. A grife? “Pois é, quando pode exibe a grife”. E isso não é próprio de um cavalheiro elegante? “Claro que não, o gentleman esconde a grife, quando não a arranca de vez da peça”. Mas o society paulistano seria condenado em bloco pelo senhor? “Se mostram as grifes, sim, se exibem a etiqueta, não há salvação para eles”. Também as damas que gastam na Daslu e os cavalheiros que vestem Armani? “Nem se fale, meu caro condenados sem perdão”. Entrega-se a uma pausa cheia de subentendidos, e volta à carga, sinto que o tema o deixou cada vez mais solto: “Apostaria que o senhor Mares Guia virou especialista em vinhos, que têm adega climatizada na casa da cidade e na casa de campo, e que abre as garrafas com mil trejeitos e saca-rolhas parecidos com antigos instrumentos de tortura, e serve em copos austríacos adequados a cada vinho, e aprendeu a agitá-los com movimentos rotatórios dignos de um degustador profissional”. Puxa, por essa eu não esperava. “Não faço um esforço inaudito para imaginar a situação”. E ele gosta de vinho? “Não é difícil gostar de vinho, temo, contudo, que goste mais dos rótulos, os rótulos representam uma tentação terrível, e se apreciar um charuto, duvido que lhe tire aquela rodela a denunciar a origem, coisa típica de quem caça a raposa para matá-la”. E isso não se faz? “Nunca, arrancam-se as grifes e não se mata a raposa. De todo modo, direi algo mais: por mais que se esforce, Mares Guia tem cara de padeiro”.
enviada por mino






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