Mino Carta - dirigiu as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, Istoé e CartaCapital, da qual é diretor de redação.


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08/11/2007 20:29

Para Maigret, uma operação que beneficia Daniel Dantas

Consegui licença de Georges Simenon e liguei para o comissário Maigret. Aparentemente sisudo, coração de ouro, QI elevadíssimo. Esclareço que o freqüento há muito tempo. Digo: “Estamos a viver um mistério.” “Tudo sempre se explica”, diz ele, voz cavernosa. “Questão seguinte – prossigo – duas semanais italianas, Panorama na semana passada, L’Espresso nesta, se põem a falar do velho caso da operação de espionagem montada pela Telecom Italia durante a gestão de Marco Tronchetti Provera, sustentam que o esquema transpôs as fronteiras italianas para alcançar o Brasil”. “Qual o mistério?”, pergunta. “O caso é antigo e conhecido, por que agora voltam à carga?” “Quem ali no Brasil tocou no assunto esses dias?” Informo: “A revista Veja e o Estadão, fora um alentado post assinado por Marcio Chaer”. Maigret mergulha em silêncio, que eu respeito. Pausa. “Olha – diz ele – acho que é preciso responder à pergunta clássica: a quem aproveita? Ou melhor, a quem pretendem aproveitar as pretensas informações das revistas italianas?” E quem seria? “Permita-se parafrasear um colega: elementar, meu caro Mino. Faça um esforço mínimo, e até você chega lá”. Arrisco: “Daniel Dantas, o orelhudo”. “Bingo”. “Espera aí – digo eu – e ele teria esta bola toda para chegar até os jornalistas peninsulares?” Percebo certa condescendência na voz dele: “Por que não? Infinitos são os caminhos desse senhor”. Sorrio. “Mas em que o beneficiam as reportagens?” “Tendem a provar duas coisas. Primeiro, Daniel Dantas não é o vilão, é a vítima. Segundo, está clara a tentativa de intimidação e chantagem junto à polícia e às autoridades brasileiras. O processo contra o orelhudo está ainda em andamento”. Nova pausa. Ele, de novo: Falta alguma coisa nisso tudo, algo novo talvez se mova, em relação ao caso das pretensas contas no exterior de figurões verde-amarelos, a começar por Lula. A Veja, que pretendeu provocar o escândalo, foi muito clara e precisa ao revelar tempos atrás que fora o próprio Dantas o fornecedor de elementos para a denúncia bombástica, embora, a seu modo, ridícula. Dantas desmentiu, mas Veja provou que o municiador era ele mesmo, o orelhudo. Caso gravíssimo, será que pode passar em branca nuvem?” Aqui no meu canto levanto os olhos ao céu. “Sei não – soletro – você sabe muito bem que os homens do poder sempre acham meios para o arreglo. Em pleno fuzuê, o próprio ministro da Justiça de Lula, Marcio Thomaz Bastos, foi jantar com Daniel Dantas na casa do tucano Heráclito Fortes, levado por dois deputados petistas”. Está certo – sublinha Maigret – saiba, porém, que não há mistério. Temos aí uma manobra para beneficiar Daniel Dantas, e isso não se discute”.
enviada por mino






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