05/11/2007 12:41
Os locutores brasileiros e seus palpites
Domingo vi a Roma, meu time preferido no momento, empatar com o Empoli. Em Empoli. A Rai Internacional transmitia Genoa-Palermo, optei obviamente pela ESPN Internacional. Há tempo, não assistia a jogo irradiado por locutores brasileiros. Não deixei de notar que dão palpites o tempo inteiro. No gênero: se eu fosse o técnico, atacaria mais pelas pontas. Ou: o time tem de fazer pressão no campo do adversário. Ou: não escalaria este, em lugar dele colocaria aquele. Até entendo quando a Rai chama um treinador no momento longe dos gramados, como Fabio Capello, salvo melhor juízo um dos melhores do mundo, e pede a ele comentários técnicos. Mas, francamente, que a rapaziada pretenda ensinar o padre nosso aos vigários me parece topete demais. Mas que fazer? Os homens se acham. Pouco, sabem, porém, do futebol italiano. Não é pecado, sequer venial, e não creio que o futebol, qualquer futebol, seja mais importante do que a literatura, a música, a pintura, Ou a ciência, a medicina, a filosofia. Creio, no entanto, que, ao se disporem a irradiar um jogo, têm de estar preparados para tanto. E inteligentemente dispostos a não exibir uma sabedoria que não possuem. Por exemplo: ocaso de partida, como diria Fiore Gigliotti, Giovinco, do Empoli, bate falta de mais de trinta metros, entre a lateral e o bico da área, e enfia a bola no cantinho, com uma parábola infernal. Doni, goleiro do Roma, um pouco adiantado, engole o frango. Um dos locutores comenta: ele quis centrar. Engana-se. Não sabe que Giovinco, 20 anos, 1,64 de altura, pouco mais de 50 quilos, é considerado uma grande promessa e joga na seleção under-21 que disputará as Olimpíadas de Pequim. Já fez gols iguais. Outro locutor diz que ele atuou pela Juventus. Sim, foi criado nos juvenis da Juve (pronuncie Iuve, com i) mas nunca figurou no time principal.
enviada por mino
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)