06/11/2007 12:38
Meu desinteresse pelo caso do padre Lancellotti
Alguns internautas gostariam que eu comentasse o caso do padre Lancellotti. Confesso meu desinteresse. De todo modo, sei que o padre cedeu à extorsão e que o salário dele não comporta os pagamentos feitos. Por que entregou ouro ao bandido não sei. Sei que os casos de sacerdotes envolvidos em escândalos sexuais pipocam mundo afora, o mundo informatizado cada vez mais informado. E os soldados dos vários exércitos eclesiais ficam cada vez mais vulneráveis, pois, como os homens em geral, não nasceram para a santidade. Me vem à mente uma lembrança da minha infância, e o cenário é uma aldeia piemontesa de mil habitantes, onde minha mãe aportou com os dois filhos, Luis e eu, para escapar dos bombardeios que diariamente infernizavam Genova, minha cidade natal. Na aldeia havia duas igrejas, e numa delas atuava um padre maciço de corpo e folgazão de espírito, tocava piano para compor canções de vago sabor andaluz no gênero Granada. Morava com a mãe, já entrada em anos, e recebia quase todos os dias a visita de uma senhora de curvas abundantes que tocava castanholas, fato insólito para uma piemontesa. Se bem lembro, o farmacêutico era a única pessoa disposta a desconfiar das relações musicais daquele par dado a inspirações gitanas. Todos os demais habitantes achavam tudo normal, embora alguns considerassem enfadonhas as canções do padre. Outros tempos.
enviada por mino
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