Mino Carta - dirigiu as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, Istoé e CartaCapital, da qual é diretor de redação.


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06/11/2007 18:53

Mais um que se vai

Morreu Enzo Biagi. Não sei como a mídia nativa vai registrar o fato. Talvez passe em branca nuvem, e eu não gostaria disso. Biagi morreu aos 87 anos e foi um grande jornalista, liberal à moda antiga que sabia escrever a bico de pena e respeitava a verdade factual, exercia o espírito crítico e fiscalizava o poder. Foi da imprensa e da televisão, dirigiu jornais e programas, escreveu vários livros. Um dos programas, o último de sua vida, foi interrompido na Rai, a rádio e tevê estatal (estatal, sublinho, não é pública) por obra das pressões de Silvio Berlusconi, durante seu recente mandato como premier. Com a vitória eleitoral da centro-esquerda no pleito do ano passado, Biagi recuperou seu espaço. Figura encantadora e marcante de um dos melhores jornalismos que conheço. Como brasileiro, tenho a dizer que a cultura italiana não é conhecida o bastante no Brasil, a despeito da origem italiana de tantos brasileiros. Folheio o último livro de Rubem Fonseca, conjunto de crônicas, e nas primeiras páginas o escritor dá uma aula de erudição ao citar grandes poetas e prosadores de 1800 e de 1900, a demonstrar que o romance não morreu, conquanto nem todos os citados tenham deixado romances. Cita miríades de ingleses e franceses, e esquece italianos como Giacomo Leopardi, Alessandro Manzoni, Giovanni Verga, Ítalo Calvino, Cesare Pavese, Eugenio Montale, Tomasi de Lampedusa, Giosué Carducci, Ungaretti, Moravia, Pasolini e muitos mais. Somente Pirandello e Quasimodo entram no seu panteão. Espero que amanhã Enzo Biagi não seja esquecido pela imprensa nativa.
enviada por mino






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