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26/11/2007 17:37

Keynes lembra de Ruy Barbarossa, ou melhor, Barbosa

Desta vez procurei John Mayard Keynes. Não costumo recorrer a ele com freqüência, já me redargüiu, embora com bonomia, ao se dar conta dos meus escassos conhecimentos de economia. Escassos? Estou a mostrar muita generosidade em relação a mim mesmo. Ainda assim, fui ousado e liguei para o grande conselheiro de Franklin Roosevelt à época do New Deal. “Diga”, propôs ele, cordato. E eu disse: “Lord Keynes, porque os responsáveis pela economia dos países da União Européia estão tão preocupados com a queda do dólar e a valorização do euro, que consideram excessiva, enquanto no Brasil os figurões e figurinhas que tocam certos assuntos aparentam tranqüilidade, e até vaticinam um ulterior avanço do real qual fosse prova de boa saúde?” Perguntou circunspecto: “Real?” “Sim, o real, a moeda brasileira”. “Sei, sei – admitiu , – aquela moeda que só tem curso no vosso país”. “Ele mesmo”, sublinhei. “Bem – esclareceu, – os países europeus vislumbram a clara e poderosa ameaça às suas exportações, no Brasil a preocupação teria de ser a mesma”. “A que o senhor atribui essa tranqüilidade?” “Não conheço as atuais autoridades brasileiras, mas se forem iguais a Ruy Barbarossa...” Apressei-me a explicar: “Não, não, Ruy Barbosa morreu há muito tempo”. E ele, mansamente: “Isso também sei, eu integrava a delegação britânica à Conferência de Haia em 1907, e Barbarossa, que chefiava a delegação brasileira, já era velho, aliás, tenho a impressão que ele era uma dessas pessoas que nascem já com sessenta anos”. Mas qual seria a relação entre Ruy Barbosa e, sei lá, Henrique Meirelles, ou outro, da turma dos astrônomos da economia nativa? “Recordo – evocou Keynes, –que ele era muito chato, perdoe a palavra chula”. Chato o nosso grande Ruy? “Pois é, chato, empolado, verborrágico, e também arrogante, com a certeza inesgotável de agradar o auditório e de surpreender o mundo. Se forem iguais a ele os atuais senhores da economia brasileira, imagino que a tal tranqüilidade signifique incompetência e empáfia”.
enviada por mino






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