26/11/2007 18:27
A Argentina que às vezes é melhor que o Brasil
A rivalidade entre Brasil e Argentina é um clássico da América Latina. Há pontos a favor de um e de outro. Do ângulo do peso específico, o Brasil é muito mais dotado que a Argentina. Falo de poder de influência no continente e no mundo, da economia e recursos naturais, e por aí afora. Já na ótica do social, a Argentina leva vantagem, eles não padecem do monstruoso de desequilíbrio entre ricos e pobres, entre minoria e maioria, que caracteriza o Brasil atual. Donde, índices de criminalidade bastante inferiores e uma porcentagem de analfabetos que iguala à dos países mais avançados do mundo. Muito mais respeito pela memória e uma imprensa melhor editada e efetivamente pluralista. No futebol, que prezamos tanto, nós e eles, há bons de bola de um lado e de outro, com a premissa de que acho Pelé mais indispensável no meu time que Maradona. Mas, por falar em memória, me pega uma notícia chegada de Buenos Aires, que me parece não ter sido registrada pela mídia nativa. A ministra da Defesa Nilda Garré demitiu sumariamente o chefe dos serviços secretos militares, general Osvaldo Montero. Responsável por um complô para afastar a ministra, com o apoio dos comandos militares, Montero foi grampeado e suas conversações telefônicas revelaram a trama, urdida para substituir Garré por um político mais leniente. A ministra tem passado esquerdista, viveu exilada no México durante a ditadura, e agora a direita a acusa de ser movida por sentimentos de vingança. Eis aí mais um válido exemplo de como a Argentina não esquece os seus anos de chumbo. E cuida de manter os militares no devido lugar. Aliás, as mães dos desaparecidos continuam suas passeatas e, se me permitirem, a Argentina, neste campo, leva mais uma vantagem.
enviada por mino
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