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25/10/2007 20:36

Uma santidade em xeque

A santidade de Padre Pio de Pietrelcina está em xeque. Um livro sai na próxima semana na Itália, Milagres e Política na Itália de 1900, de autoria do historiador Sergio Luzzatto, para lançar uma sombra sinistra sobre a figura de um santo milagreiro que os italianos veneram.
Luzzatto investigou a personagem seis anos a fio. Emerge da busca com um relato implacável, escudado em documentos irretorquíveis. Entre eles, bilhetes dirigidos por Padre Pio a uma das protegidas, em que recomenda, em absoluto segredo, a remessa de ácido fênico em quantidades respeitáveis, e até de outros venenos de efeito devastador.
O santo de Pietrelcina, capuchinho, falecido faz poucos anos, recebeu as estigmatas, como São Francisco. Ou seja, por intercessão divina, segundo a doutrina católica, nas palmas das mãos os sinais dos pregos que crucificaram Jesus. A partir daí, seu convento, em San Giovanni Rotondo, nas Apulias, passou a ser meta de romarias de penitentes dispostos à genuflexão diante desse e de outros milagres.
E eis que surge algo mais do que a suspeita: as estigmatas devem mais ao ácido fênico, e outros venenos, do que ao Altíssimo. Mas o testemunho mais arrasador vem de um papa, João XXIII, que acompanhou as atividades de Padre Pio desde o começo dos anos 20, quando foi responsável pelas missões da Propaganda Fide.
Luzzatto conseguiu recolher documentos escritos pelo próprio papa, um dos maiores protagonistas do século passado, que equivalem à sentença condenatória do pretenso milagreiro. Em quatro folhas, datadas de 25 de junho de 1960, passagem crucial do livro de Luzzatto, João XXIII escreve que tudo não passa “de um imenso engano”. E mais: “Suas relações condenáveis com os fiéis provocam um desastre de almas”.
O papa suspeita claramente que a amizade de Padre Pio com algumas mulheres, uma delas misteriosa condessa, não seja apenas espiritual, e escreve que “há cerca de 40 anos, esta contaminação atingiu centenas de milhares de almas, imbecilizadas em proporções inverossímeis”. Sintomática a lista dos papas encabeçada por João XXIII, que enxergaram o embuste: Bento XV, Pio XI, João Paulo I. E daqueles que o protegeram, talvez por causa das razões de Estado: Pio XII e Paulo VI. Enfim, João Paulo II elevou Padre Pio à glória dos altares. Sem maiores surpresas.
enviada por mino






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