24/10/2007 20:27
Paulo Autran
Respondo a Rodrigo Cesar. Sempre tive por Paulo Autran enorme admiração, como o melhor ator brasileiro. Desde os tempos da companhia com Tônia Carrero e Adolfo Celi, e do TBC. Fui aos teatros desde a primeiríssima juventude, em uma São Paulo culturalmente viva e intensa. O que me empolgava, e me empolgou até ontem, até a última encenação do Avarento, foi a incrível, diria mesmo, espantosa ductilidade de Paulo Autran. Creio haver dois tipos de atores. Aqueles que são, sempre e sempre, eles mesmos, de certa forma intérpretes de uma única personagem, ou de si próprios. Penso em Marlon Brando, em Anna Magnani, em Jean-Louis Barrault, em Laurence Olivier. O segundo gênero é daqueles que mergulham no papel com tocha e cordas, raptam-lhe o coração e a mente, sem deixar de serem eles mesmos. Paulo Autran, na minha visão, pertence a esta categoria. Como Robert De Niro, Marcello Mastroianni, Gérard Philipe. Como Juca de Oliveira. Quero deixar bem claro que não sou crítico de teatro, não passo de espectador. Mas tenho certeza de que, tivesse nascido em Londres, Paulo Autran freqüentaria a ribalta do Old Vic. Foi também um amigo para conversas noite adentro, sempre elegante no sentido mais profundo, na fala e no pensamento, companheiro excelente à mesa à sombra de uma garrafa digna, fiel à evocação da memória, apinhada, densa, disposto, porém, a enxergar o futuro e antecipar os tempos.
enviada por mino
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