Mino Carta - dirigiu as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, Istoé e CartaCapital, da qual é diretor de redação.


O blog do Mino agradece comentários feitos por seus leitores, desde que sigam algumas regras. Clique aqui para saber quais são.



CRIE SEU BLOG! BLIG

AVISO DE ATUALIZAÇÃO


19/10/2007 18:43

Na época da revista Status

Respondo ao generoso Paulo Cascardo, disposto a recordar entrevistas que fiz nos idos de 1981 com personagens famosos para a revista Status. Acabava de encerrar minha história na Istoé, que fundei em 1976, juntamente com meu irmão Luis e Domingo Alzugaray, à sombra da Editora Três. Foi para mim a primeira fase da revista. A segunda começou em 1988, quando Alzugaray recomprou Istoé, e encerrou-se em agosto de 1993, quando Domingo e eu nos desentendemos. O enredo tem seus lados melancólicos. Em 1979 meu irmão já se mandara para fundar a sua CartaEditorial e Alzugaray e eu partimos para a aventura do Jornal da República, lançado em agosto daquele ano. Foi um fracasso esculpido por Michelangelo, ficamos atolados em dívidas. Mas, como nos filmes de Frank Capra, daqueles em que Deus e São Pedro enviam para a Terra um anjo salvador, alguém surgiu em cena para evitar que eu passasse o fim da vida debaixo de uma ponte. Não se tratava de um anjo, e sim do filho do banqueiro Walter Moreira Salles, Fernando. Alimentava veleidades intelectuais, instigado por um Iago menor, certo De Franceschi. Pagou a nossa dívida e ficou com Istoé, com o compromisso meu de ficar na direção da redação. Fiquei, precisava de salário. O acerto não foi além de um ano e um mês. Em fevereiro de 1981 o filho do banqueiro me convidou para almoçar em sua casa, em companhia do iagozinho, e me comunicou, entre uma garfada e outra de risoto ai funghi que eu tinha de sair mansamente de cena. Por três razões. Primeira: porque eu estava a virar o segundo pai dele, e um progenitor só dava e sobrava. Segunda: porque eu empurrava a revista no rumo do PT de Lula, enquanto ele pretendia aproximar-se cada vez mais do PMDB. Terceira: porque meus companheiros da redação encontravam-se na casa dele em elaboradas e complexas reuniões e o conclamavam a me demitir, por ser eu autoritário em demasia. Um ditador. Um Chávez ou um capitão Nascimento ante litteram. Nada disso me surpreendeu, mesmo no que diz respeito ao terceiro motivo. Jamais me permiti alimentar ilusões sobre o caráter dos semelhantes e, sobretudo, dos sabujos das redações, mesmo quando se declaram, não sem ênfase, de irredutível esquerda. Sempre haverão de preferir o patrão ao colega mais talentoso ou mais sortudo. Fiquei sem emprego, tive de arranjar outro, não mais para garantir o leite das crianças, mas o meu próprio. O velho Octavio Frias de Oliveira me ofereceu uma colaboração fixa na Folha de S.Paulo e Domingo Alzugaray espaço na Status e na revista mensal Senhor, que comprara um mês antes e pretendia tornar quinzenal. Foi solução excelente. Para a Status fiz várias entrevistas. Com Paulo Autran, Ney Latorraca, Rudy Crespi, Claudio Lembro, Elis Regina. E muitos outros. Foi divertido, e me agrada recordar.
enviada por mino






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)