26/10/2007 19:12
Conversa com Bolívar
Atendo Gilberto e seu pedido. Liguei para Bolívar. Não posso revelar o nome da localidade em que o alcancei para evitar que venha a ser localizado pelas forças repressoras, espanholas, naturalmente, mas apoiadas por eminentes editorialistas e articulistas nativos. Quis saber das relações dele com Hugo Chávez, questão crucial no rol das preocupações da mídia brasileira. Disse-me serem boas, com um porém: a diferença de tempo entre ele e o presidente venezuelano é grande demais para que possam coincidir as posições de cada qual. Perguntei se tinha lido uma nota publicada na edição de CartaCapital, que hoje circula em São Paulo. Claro respondeu, -não poderia deixar de ler, achei excelente e me agradou muito que a editora da Fundação Aycucho tenha traduzido escritos da minha lavra para o português, e que a construtora Odebrecht tenha patrocinado a edição da primeira tiragem. Pois é, 5 mil exemplares a serem distribuídos nas escolas públicas do Brasil. Sabe pontua,- fico até comovido quando meu pensamento chegue ao seu país, que pouco sabe a meu respeito. Aliás, menos ainda sabe de um grande brasileiro, que foi meu chefe de Estado Maior. Quem? Pergunto sem esconder a surpresa. Ora, o general Abreu e Lima, excepcional, inesquecível companheiro de mil jornadas, América do Sul afora. Caio das nuvens. Acrescente: Estava à minha cabeceira no dia de minha morte. Digo: Sabe, às vezes lamento que não tenhamos na nossa história um herói igual ao senhor. Obrigado, obrigado, mas cada qual no seu cenário. O meu era de inevitável conflito contra o jugo espanhol, a independência só viria pela luta sangrenta. Pois é, comento, o príncipe português, acometido por um distúrbio gastrintestinal, decidiu dar o grito, e isso bastou para fundar o Brasil. É ele quem pergunta: Você acha que o distúrbio foi tão decisivo?. Bem, o moço já devia cogitar do rompante há tempo, mas a vida é assim mesmo, um distúrbio daqueles irrita qualquer um, e aí... Entendo diz Bolívar,- o fato é que o Brasil era terra predada e padecia a escravidão, o grito era o suficiente, algo assim como a solução de uma desavença familiar. Triste, não é? Se me permite diz o grande Simon,- a surpresa não cabe, mas não podia ser de outra maneira. E vocês não se orgulham de ser a terra do jeitinho e do povo cordial?
enviada por mino
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