Mino Carta - dirigiu as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, Istoé e CartaCapital, da qual é diretor de redação.


O blog do Mino agradece comentários feitos por seus leitores, desde que sigam algumas regras. Clique aqui para saber quais são.



CRIE SEU BLOG! BLIG

AVISO DE ATUALIZAÇÃO


02/10/2007 12:45

A crítica e o bacalhau

Vamos ao bacalhau, diria o Chacrinha. A quem pergunta que vinho tomaria com bacalhau à siciliana, conforme receita que me permiti apresentar na sexta passada, respondo tinto. Aliás, com bacalhau sempre tinto. Há tintos portugueses excelentes. Nem falo do Pera Manca ou do Barca Velha, caríssimos a esta altura do campeonato. Mesmo o Ferreirinha Reserva, muito bom, passou da conta quanto a reais. Mas há outros na linha do Cartuxa, por exemplo, mais acessíveis. No caso do bacalhau à siciliana, um siciliano digno é o Nero D’Avola, a preço aceitável. A quem comenta que quem come bacalhau não pode criticar a elite brasileira limito-me a dizer que caio em estado de perplexidade. Poderia inventar que Garibaldi, Gramsci, Che Guevara gostavam muito de bacalhau, certamente ninguém contestaria. Não invento porque não sei, embora esteja convencido da capacidade do bacalhau de seduzir quem quer que seja, inclusive os revolucionários. Gosto, de todo modo, de boa comida (mas não sou um glutão) e bebida idem. Na análise do que é bom, ou mau, para mastigar ou beber, exerço o espírito crítico, como em tudo o mais. Não creio que para criticar os ricos seja preciso ser rico (e eu estou longe de ser, embora, neste Brasil, eu também faça parte do privilégio) e para criticar os pobres seja indispensável ser pobre. Não há hipocrisia alguma em ser privilegiado, em um país onde apenas 5 por cento da população ganha 800 reais por mês para cima, e criticar os demais privilegiados enquanto o bacalhau à siciliana vem à mesa. Na minha opinião a elite brasileira é culpada se o Brasil vai mal das pernas, e não deixo de observar que, espanto dos espantos, ela está cansada da miséria dos outros. Mas já que estou no embalo, digo mais: salvo honrosas exceções, os abastados do Brasil comem mal, embora julguem São Paulo capital gastronômica do mundo. Basta isso para afirmar que não entendem do assunto.
enviada por mino






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)