Mino Carta - dirigiu as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, Istoé e CartaCapital, da qual é diretor de redação.


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20/09/2007 20:48

Forza Roma

Na noite de terça passada, festa do Prêmio Comunique-se no Tom Brasil, topo com José Trajano, figura de simpatia devastadora e, eventualmente, de assertivas de igual contundência. Já trabalhamos juntos, e até, certa vez, nos enfrentamos em campos opostos, em refrega tenística de duplas. Estava ali outro jornalista, de quem sempre nos lembramos, Hamilton de Almeida Filho, o HAF, repórter de amplíssimo raio, deixou-nos antes do tempo. Obviamente, foi evocado. Ao Trajano, dedico a seguinte reflexão, de natureza futebolística, já que o próprio me atribui, com grande satisfação minha, certa competência na matéria. É o seguinte: a Roma é no momento o melhor time do futebol italiano, aquele que joga mais bonito, mais solto, mais original. Diga-se que nele militam cinco brasileiros, em um plantel, como se dizia em outros tempos, de mais de 22 jogadores. Doni, Juan, Cicinho, Taddei e Mancini. Alguns são craques, formados ali mesmo, o veterano Totti, no auge da carreira, De Rossi e Aquilani, este um príncipe à lá Danilo, Perrotta, Panucci, o francês Mexes. É um time que encanta, e o maestro é o técnico Spalletti, toscano esquivo, a pôr em prática um 4-2-3-1, e sem centroavante. Totti finge que vai, e entra Perrotta, nascido como meio-campista e hoje incursor insólito e eficaz. Aquele foi o artilheiro do campeonato italiano da temporada passada, e de toda a Europa, e com isso ganhou a Chuteira de ouro. Chegou em segundo Van Nilsteroy. Se tiverem a oportunidade, não percam os jogos da Roma, no próximo domingo enfrenta a Juventus, que os locutores brasileiros chamam de Juve. Pronuncie, porém, Iuve, jota em italiano não existe. Para quem gosta de futebol, a experiência romana soa como novidade. Alvissareira. É uma versão bem hodierna de uma estética futebolística que não descura a busca imperiosa do gol. Com generosidade de quem jamais arrefece na confiança do talento. E focalizem Juan, excelente zagueiro. Permito-me o vaticínio: sob a batuta de Spalletti, ele ficará ainda melhor. Aviso aos navegantes: sempre convém admitir que posso morrer pela boca, ou melhor, pela Olivetti. E se a Juventus ganha domingo? Jornalista de futebol sempre conta com a atenuante: o jogo é imprevisível.
enviada por mino






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