27/09/2007 19:15
Aparências
Liguei para Cesare Lombroso, professor da Universidade de Genova, minha cidade natal. É figura austera, dotada de vasta barba branca. Faz mais de cem anos formulou a teoria das aparências que não enganam, em proveito dos estudantes de Medicina Legal. A idéia não resistiu por muito tempo, acertou-se que gerava erros e preconceitos, entendeu-se, aparentemente de vez, que as aparências enganam. Digo aparentemente porque, ao menos na minha modesta visão, não faltam ocasiões em que sou assoberbado pelas dúvidas. Se, por exemplo, encaro as feições de Renan Calheiros, ou de Arthur Virgilio, ou de Agripino Maia, elas, as dúvidas, me assaltam. Hoje os vejo nas páginas do jornalões, e sou tomado por sobressaltos interiores, sobretudo ao considerar que se trata de senadores, os sábios do Congresso. Mas pretendia submeter à avaliação de Cesare Lombroso a fisionomia do ministro Walfrido dos Mares Guia, senhor de porte pomposo e dono de fortuna imponente, conforme ele próprio declara com expressão solene. Diz Lombroso: Há nele algo de muito teatral na postura, a causar a impressão, muito forte, de que almeja parecer um lorde capaz de entregar-se à política em benefício da nação. E os traços? Pois é esclarece o professor reforçam a impressão, os cabelos diligentemente penteados, o olhar altivo, o nariz predador, a boca pequena, indicada para conversas ao pé do ouvido, a papada desbordante, digna do proprietário de terras infindas, guardadas por um exército de jagunços. Explico que querem envolvê-lo no escândalo da hora: o valerioduto mineiro. Teoricamente diz Lombroso a corrupção não deveria ser própria de um homem tão rico. Mas... A história do empréstimo feito ao grande amigo Eduardo Azeredo convence? À luz da minha teoria, não. Definitivamente, não.
enviada por mino
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