21/08/2007 17:33
Supremacia branca?
A revista Veja e o diretor da Rede Globo, Ali Kamel, decidiram assumir a vanguarda moral e intelectual da rebelião da elite. Juraria que houve entre eles um acerto inicial, um pacto decisivo. Na análise de um livro de Alberto Carlos Almeida, A Cabeça do Brasileiro, Veja encontra as razões da indiscutível supremacia da minoria branca em relação à plebe rude e ignara. Não uso por acaso a expressão cunhada por Cláudio Lembo. De fato, a pesquisa em que o livro se baseia, pretende mostrar que a tal minoria conhece o endereço da ética (ou se esmera na hipocrisia?), a maioria é adepta de Maquiavel. Sem querer, está claro, epidermicamente. Mas a brancura dos varões de Plutarco é evidente. A própria pesquisa incumbe-se de demonstrar que o preconceito racial existe. Negros e pardos são menos inteligentes, honestos e educados, e mais preguiçosos, malandros e inclinados ao crime. Estranhamente, na mesma edição, ao celebrar Ali Kamel como o maior ensaísta vivo do País, e sua corajosa cruzada contra os lugares-comuns e idéias esdrúxulas, faz-se referência a um livro do próprio, lançado há um ano e meio e intitulado Nós Não Somos Racistas. Verifica-se que o lugar-comum já está no título. A coragem de Kamel é, porém, inquestionável. De fato, ele insiste ao longo de sua obra (cito Veja) na “irracionalidade tonitruante de uma questão inexistente no País”. Pois é, há uma discrepância uivante entre as teses ardorosamente sustentadas na análise do livro de Alberto Carlos Almeida e a idéia que permeia o livro de Kamel. Pois é, a cabeça do brasileiro diz que somos racistas. E os milhões de leitores de Veja como ficam?
enviada por mino
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