Mino Carta - dirigiu as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, Istoé e CartaCapital, da qual é diretor de redação.


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23/08/2007 12:23

Sem mas e nem porém

Conversei com Cassandra pelo telefone. Desta vez liguei para Esmirna. Pretendia ouvi-la a respeito dos últimos desenvolvimentos da situação neste lado do mundo. Sentenciou de pronto: “Estou preocupada”. “Você está sempre preocupada”, disse eu, “desde a guerra de Tróia”. Esclareceu: “Estou muito preocupada com o estado psicossomático da classe alta do seu país e da classe média com intenções de alpinismo”. Como assim? “É uma questão de quociente de inteligência, antes de partir para outras considerações, sim, há um abalo econômico mundial, o Brasil corre o risco de crescer muito menos do que esperava, e o que esperava já era insuficiente. Mas o meu primeiro sentimento negativo diz respeito à confusão mental reinante do País”. “Seja mais específica, por favor”. “É só botar arreparo. Juízes da Suprema Corte deitam falação, advertem a nação contra a instauração do Estado autoritário baseados em meras suspeitas. E nem seria admissível que se pronunciassem daquela maneira se tivessem provas. Isso não é aceitável por parte de juízes, não seria em qualquer lugar do mundo civilizado e democrático. O ministro da Justiça cala-se a respeito e a Polícia Federal só responde por intermédio de sua associação de classe. Renan Calheiros, cercado pelas acusações, em parte confirmadas pelas provas, resiste na presidência do Senado, com o aparente beneplácito do governo. A mídia esbalda-se em sua tentativa de produzir crises e largos setores do Brasil privilegiado, e dos aspirantes ao privilégio, caem na conversa, a revelar ódio de classe, adubado nestes dias por um livro pronto a demonstrar que a elite é o farol da modernidade e o povo o lado mau do país”. “Está bem, você me convence. Mas...” Interrompe: “Não tem mas, nem porém. Isso tudo é fato”. “E prova o que?” “Algo gravíssimo, muito além do besteirol. Mostra a imaturidade crescente, a pobreza do raciocínio, uma síndrome muito próxima da insanidade”.
enviada por mino






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