20/08/2007 18:04
Jornalista
Estou no aguardo ansioso da inauguração da ponte estaiada, a ser batizada como nome de Roberto Marinho, jornalista. Nisso tudo há uma coerência. A antiga avenidas das Águas Espraiadas, nome poético, passou a se chamar Roberto Marinho, jornalista, bem como todo o conjunto viário, que inclui a ponte estaiada e, não por acaso, passa ao lado da magnificente sede da Rede Globo em São Paulo. Seria algo assim como se na Itália o túnel do Monte Branco passasse a se chamar Silvio Berlusconi, jornalista. De fato, trata-se de personagens parecidas. Com uma diferença. Para subir na vida, Berlusconi valeu-se de muita natural esperteza, falta de escrúpulos e ajudas variadas. Marinho valeu-se, de maneira decisiva para a grandeza de seu império, da ajuda primeiro da ditadura e, durante o governo Sarney, de Antônio Carlos Magalhães, ministro das Comunicações. Aliás, os ministros das Comunicações sempre nutriram especial carinho pelo nosso colega Marinho e por sua empresa. A diferença está no fato de que, apesar de tudo, Berlusconi e Mussolini trocaram favores. A outra diferença, diz respeito às reações ao nome escolhido e à sua qualificação como profissional de imprensa. Não haveria jornalista na Itália disposto a aceitar em perfeito silêncio que Berlusconi se apresente como colega, como não haveria em relação a Murdoch no Reino Unido. Tampouco uma situação dessas seria engolida pela opinião pública em geral. Aqui, como se sabe, a prepotência não tem limites. A resignação também.
enviada por mino
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