Mino Carta - dirigiu as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, Istoé e CartaCapital, da qual é diretor de redação.


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16/08/2007 19:26

Joel Silveira

Morreu ontem Joel Silveira. Citei-o em um post recente como um daqueles notáveis repórteres que valorizaram o jornalismo brasileiro e que, atualmente, não se fazem mais. Ou são cada vez mais raros. Era um daqueles capacitados a conferir qualidade literária ao texto jornalístico, figura destacada de uma geração disposta a ver na profissão uma arte. E a provar. Morreu aos 88, foi contemporâneo, entre outros, de Rubem Braga, mais um grande e inesquecível. Depois deles, ainda houve duas, ou três, gerações, certas de que cabia ao jornalismo nivelar por cima. Depois, o naufrágio, incentivado pelos famigerados manuais de redação e munidos pelo deliberado propósito de secundar a credulidade e a ignorância, em nome da tiragem do ibope. Para atingir o sublime objetivo de entorpecer os espíritos e obnubilar as consciências. No marasmo intelectual e moral, o privilegio permanece. Trabalhei com Joel Silveira quando já não era mais repórter. Dirigia o Diário de Notícias e o Mundo Ilustrado, dos quais fui correspondente da Europa de 1958 a começos de 1960. Tinha com ele uma relação epistolar intensa e, do meu lado, educativa. Nosso último encontro deu-se no restaurante Gigetto, em São Paulo, meados da década de setenta. Estava muitos quilos acima do peso certo e achei-o envelhecido. Mas o humor era sempre aquele, e o brilho do olhar. É este Joel que recordo, o cavalheiro espirituoso, esparramado no corpo e finíssimo na alma.
enviada por mino






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