13/08/2007 18:22
Godard, imponente
Recordo um filme dos anos 50, com Curd Jurgens e Danny Kaye. Contava a fuga de um aristocrata polaco e de remediado judeu de uma Paris às vésperas da invasão nazista. Ao longo da viagem, o polaco repete várias vezes: Gosto cada vez menos deste senhor Jacobowski. Chegam sãos e salvos e, obviamente, amigos fraternos. Tenho um pouco de sangue polonês, por causa de um bisavô Baltretski, pai da minha avó materna. Não era aristocrata. Por outro lado, nunca tive simpatia pela idéia ombudsman, sobretudo se posta em pratica pela Folha de S.Paulo, ou, de resto, por qualquer outro órgão de imprensa nativa. No entanto, gosto cada vez mais deste senhor Mario Magalhães, titular da coluna da Folha. Ele vai fundo, cumpre seu papel a risca, com a tranqüilidade de quem se posta do lado certo. Produz irretorquíveis críticas ao próprio jornal. Uma delas, no jornal de ontem, domingo, diz respeito à premiação promovida pela Folha do maior cineasta da atualidade. De cara, Magalhães avisa que se trata de uma brincadeira. Ocorre que a imprensa lida também com ingênuos, como o autor deste post. Eu acredito fácil, e pensei que a escolha de Godard como o melhor de todos, na frente de Lynch, Resnais e Coppola resultasse de uma imponente pesquisa global. Leio Magalhães, e apuro que três sufrágios foram suficientes para ungir Godard. E eu que não passei da leitura da primeira página? Lá fiquei porque, salvo raras exceções, Godard me propiciou o sono, diante da tela ou do vídeo. Nem se fala de Resnais, quando assisti O Ano Passado em Mariembad sai antes do fim. Gosto do Lynch, bastante, e de Coppola, quase sempre. Mas há outros diretores de cinema, excelentes, e ainda vivos.
enviada por mino
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