17/07/2007 17:01
Últimos exemplares
Aguardem um livro importante, sobre a Chacina de Carajás, de autoria de Eric Nepomuceno. Excelente jornalista que sabe escrever, herdeiro de uma categoria em extinção. Entendam bem: no Brasil. Em outros cantos sobrevive airosamente, na Europa e até nos Estados Unidos. E em mais alguns também. No Brasil, temos poucos, escassos exemplares. Eric é um desta safra cada vez mais exígua, mas defende suas páginas com raro brilho e competência incomum. O livro dele me força a memória em busca de nomes brasileiros de grandes repórteres dotados de vis literária, com a capacidade de contar enredos da vida real qual fossem peças de ficção, de evocar ambientes, clima e personagens com o toque de melhor narração. Primeiro entre todos, Euclides da Cunha, cujos Sertões são uma das mais extraordinárias reportagens que tive a ventura de ler, obra-prima da língua portuguesa, empregada para descobrir o Brasil. Falo de repórteres-escritores, e não de escritores que já foram impressos em páginas de jornais e revistas como , por exemplo, Nelson Rodrigues. E peço perdão se esqueço alguns muitos, atribuam a lacuna ao meu adiantado da idade. Não me fogem, porém, Rubem Braga, quando repórter, e Joel Silveira, e Claudio Abramo, sempre que decidia partir para a reportagem. Audalio Dantas é outro, da minha geração, sem contar aqueles que trabalharam comigo em ocasiões diversas, Raimundo Pereira, Nirlando Beirão, Tão Gomes Pinto, Elio Gaspari, José Hamilton Ribeiro, Dorrit Harazim, Bob Fernandes, Nelson Letaif, Luis Nassif, Ricardo Kotcho (que perdoei por ter perdido o avião que trazia Brizola de volta para o Brasil em 1979). Todos ainda na ativa, menos Hamilton de Almeida, falecido aos 48 anos, embora muitos tenham deixado de ser repórteres na acepção tradicional. Leiam Nepomuceno, será uma aula de autêntico jornalismo.
enviada por mino
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)