Mino Carta - dirigiu as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, Istoé e CartaCapital, da qual é diretor de redação.


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26/07/2007 12:21

O que é necessário

Há tempo tenho em mente que Lula pode fazer seu sucessor. É algo que atingiria no fígado a mídia nativa e seu publico, dito de classe média, sem contar os nababos. Que fazer? Alvejaria como burla trágica quem tanto se esforça para passar a perna no presidente da República. Verifico que minha sensação, aliás crescente, coincide com o resultado da pesquisa Vox Populi, exclusive de CartaCapital e da Bandeirantes, sobre a popularidade de Lula. Até que ponto o desastre de Congonhas poderia ter alterado esta perspectiva? Não sei, e não me atreveria a analises a respeito. Sei, porém, que o segundo mandato ainda está no começo e que faltam mais de três anos para o próximo pleito. Tenho a convicção que a identificação entre o ex-metalúrgico e a maioria dos brasileiros é um dado da situação destinado a permanecer. Pequenas oscilações nos humores populares talvez venham a ocorrer no decorrer do período, não serão fatais, no entanto. Já disse e repito: fosse eu o presidente, daria inicio à preparação do candidato. E o melhor à mão, no meu entendimento, é a ministra Dilma Roussef, de perfil excelente, passado que a recomenda, comportamento resguardado mas incisivo. Creio que a decolagem tenha que ocorrer logo e que Lula deva usar uma firmeza há tempo deixada de lado. Apressar a aplicação do PAC, tomar decisões claras e enérgicas em relação a questões pendentes, revisar o tom, para não repetir o andante poco mosso do discurso (tardio demais) de sexta feira passada. Voltar aos timbres decididos e altivos dos últimos momentos da campanha da reeleição, insistir no papel de presidente do povo, e, portanto, dos pobres. E definir, de vez, as prioridades do governo e do País. E não se intimidar diante das agressões da mídia, enfrentá-la sem meias palavras, certo da superioridade conferida por 61% dos votos, pelo apoio indiscutível da larga maioria. Usar panos quentes, tais como agradar ao mercado, ou omitir-se diante do vão debate entre transgênico ou não transgênico, ou recuar diante da Globo que não quer a classificação indicativa, não muda o preconceito atávico, o ódio de classe do burguesote, contra o ex-metalúrgico protegido pelo destino.
enviada por mino






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