04/07/2007 18:08
Entre a desfaçatez e o primarismo
Quem se lembra do Cabo Anselmo? Personagem importante por ocasião do golpe de 1964 e bom tempo depois. Antes, fora presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Marinha e agia como homem de esquerda. Logo passou-se para o outro lado, e colaborou ativamente com a repressão, a ponto de entregar à tortura e às balas muitos entre seus ex-companheiros. Entre eles, sua própria mulher, Soledad Barret Viedma, grávida de sete meses, chacinada, juntamente com mais cinco militantes, nos arredores do Recife pelos esbirros do regime militar, comandados pelo delegado Sergio Paranhos Fleury. Não se exclua a possibilidade de que, quando agia à esquerda, não passasse de um quinta coluna. Desde os anos 60 vive em lugar secreto e sob identidade falsa, mas acaba de ganhar coragem para dar uma entrevista ao Estado de S.Paulo e reivindicar indenização, quem sabe inspirado no recente Caso Lamarca. Afirma ter agido a mando dos seus próprios carcereiros e em nome de impulsos humanitários. Serviu aos militares para salvar vidas. Versão peculiar, entre a desfaçatez e o primarismo, ambos supremos. Tanto Anselmo, quanto Lamarca, são conseqüência do golpe, mas este não enganou e não traiu.
enviada por mino
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