21/06/2007 20:10
Lamarca
Jornal do País não leio, revista semanal também, Jornal Nacional não assisto. Há quem me informe a respeito, a me chamar a atenção para texto ou tela escolhidos. Somente hoje li o editorial da Folha de sexta-feira passada, intitulado O caso Lamarca. E o editorial do Estadão de sábado, intitulado Prêmio ao facínora desertor. E um brevo texto da última edição de Veja, intitulado O Bolsa-Terrorismo.
Segundo a Folha, a decisão da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça representa um prêmio à deserção, a qual, se bem interpreto, justificaria o fuzilamento. É da percepção até do mundo mineral que Lamarca não foi desertor. Se quiserem, amotinado. A quem sustenta que a pena de morte se condiz a desertores, sugiro, em dias de lazer, a visão de um filme de Stanley Kubrick, Glória Feita de Sangue. Conta uma história de deserção da Primeira Guerra Mundial.
Segundo o Estado, o propósito de Lamarca desertor, terrorista, torturador e assassino, era implantar no Brasil uma ditadura mais cruel e liberticida do que a que desabara sobre nós com o golpe de 1964. O jornal chega a evocar com simpatia adversários do regime militar que contribuíram para o processo de redemocratização e define como memorável o movimento das Diretas Já. Esquece ter implorado o golpe e condenado o movimento.
A Veja atinge o paroxismo. Lamarca foi morto em combate por militares que cumpriam o dever de detê-lo, mas o terrorista é agora transubstanciado em mártir nacional. Papa Ratzinger gostaria deste verbo, transubstanciar. Quanto à comissão de anistia, parece movida pela ideologia de esquerda. Em geral, os editoriais e o artiguete de Veja evidenciam o sabujismo tradicional em relação às Forças Armadas. E algo mais. A forma e o conteúdo, o tom e a letra, mostram que o tempo não passou.
Não se trata de tomar o partido da ditadura ou de Lamarca. Bastaria, quem sabe, admitir que este foi resultado daquela. E que a ditadura, a ser condenada in limine por espíritos autenticamente democráticos, foi um monstruoso passo atrás na história brasileira, pelo qual pagamos até hoje. Ocorre, porém, a julgar pelas reações da chamada grande imprensa, que os chavões oligárquicos continuam alerta. Só falta convocar a Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade.
enviada por mino
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)