Mino Carta - dirigiu as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, Istoé e CartaCapital, da qual é diretor de redação.


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07/06/2007 12:39

Histórias intrincadas

Consuelo Dieguez existe, não é pseudônimo. Trata-se de uma especialista em Daniel Dantas. Nestes dias está nas bancas, nas páginas da revista Piauí, com interminável madrigal dedicado ao orelhudo, apresentado como o homônimo que acabou na cova dos leões. E ali há referencias à minha pessoa, obviamente desairosas. Existem jornalistas especializados em economia, política, esportes, negócios, artes e espetáculos. Etc., etc. A senhora Dieguez é do DD. Faz exatos seis anos, ela assinou alentada reportagem na Veja, para revelar ao público leitor mais inteligente, culto e sagaz do país tramas urdidas por Nelson Tanure contra o dono do Opportunity. Este é apresentado como alguém que só faz “jogadas de mestre”. Tanure, como interessado sobretudo em negócios “de grande vulto e intricados”. Para sustentar sua reportagem, a senhora Dieguez teve acesso “a uma série de fitas que mostram, com crueza impressionante, a montagem de uma operação de guerra para derrubar um adversário do mundo dos negócios”. Ouvem-se ali conversas de Tanure, e do seu assessor Paulo Marinho, “definindo estratégias de atuação contra o Banco Opportunity”. Gravações ilegais, está claro. Feitas por conta de quem? Deixo a um público menos inteligente, culto e sagaz do que o da Veja a tarefa de formular hipóteses plausíveis. Surge uma conversa de Marinho com seu amigo Ricardo Boechat, então colunista de O Globo. “Em um dos diálogos, ocorrido em 15 de abril – escreve a senhora Dieguez -, Boechat conta a Marinho os termos da reportagem que está escrevendo para revelar manobras do Opportunity e que seria publicada no dia seguinte em O Globo. Pela conversa, fica evidente que a direção do jornal não foi informada...” Está em foco uma negociação de Tanure com o grupo de telecomunicações TIW, sócio no Brasil da Telemig Celular e da Tele Norte Celular. A TIW formou “uma complicada e nada amigável sociedade” com o orelhudo e Tanure se prontifica a “desfazer o nó”. De todo modo, depois da publicação da reportagem de Veja, Boechat perde o emprego e se bandeia para o Jornal do Brasil. De Tanure. Sim, sim, histórias intrincadas, embora nem todas de grande vulto. Aqui no meu canto, pergunto aos meus desconfiados botões: quem deixou as fitas nas proximidades dos ouvidos da senhora Dieguez? Os botões erguem os olhos ao céu e dão para assobiar.
enviada por mino






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