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22/06/2007 18:06

Genova, bela e altiva

Em um país onde apenas 5 por cento da população ganha de 800 reais para cima, está claro que pequenos avanços na política social podem parecer enormes aos olhos dos beneficiados. Esta é, todos sabem, uma das razões da reeleição. Mas falar em prosperidade, como fez o ministro Mantega ao atribuir o apagão aéreo ao bem-estar geral, é demais. Ocorreu-me a possibilidade de que o ministro se referisse a Genova, cidade onde nasceu, como o autor deste post. Genova sempre foi bela e altiva, senhora do Mediterrâneo. Da Segunda Guerra Mundial saiu, porem, em escombros. Seu porto e os estaleiros navais, de onde saíram os grandes transatlânticos italianos, foram destruídos por bombardeios maciços e constantes, pelo ar e pelo mar. Levou tempo para se restabelecer, e nem sempre viveu tempos felizes. Hoje, no entanto, é prospera, com renda média per capita de 24 mil euros. É séria, as vezes pode parecer até sisuda por que reflete a índole do seu povo, obrigado a viver entre a pedra e o mar logo profundo. O genovês Renzo Piano, um dos grandes arquitetos contemporâneos completou a obra de Gian Galeazzo Alessi, aquele que levou a Genova a Renascença, e transformou o porto em uma praça imensa e luminosissima, plantada sobre a bonança do cais. Genova, como a Itália em geral, deve a prosperidade, em grande parte, ao Partido Comunista e aos sindicatos, que exerceram décadas a fio as pressões necessárias para levar os manda-chuvas a cederem os anéis.
enviada por mino






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