04/06/2007 18:00
Dantas
A revista Piauí, que tenho a honra e o prazer de não ler, publica farto material sobre a figura impoluta de Daniel Dantas, o banqueiro orelhudo. E ali, segundo informações que acabo de receber por quem se imola em certas leituras, sou citado. De forma altamente ofensiva, obviamente. Por trás das inúmeras reportagens publicadas por CartaCapital a respeito do dono do Opportunity haveria a minha sanha vingativa contra aquele que, solicitado no decorrer de cordial conversação a beneficiar a revista com anúncios, negou-se a fazê-lo. Est modus in rebus, rapazolas. Dorrit Harazim, que, se não me engano, trabalha, ou colabora com a Piauí, sabe perfeitamente que o texto calunioso em questão refere-se a personagem inventada. Cogitarei de uma resposta pela via legal. De todo modo, ficam aqui alguns esclarecimentos preliminares. Conversa houve, a pedido do próprio Dantas, no apartamento de um amigo dele e conhecido meu. Faz anos. Comemos rabada de excelente feitura e o anfitrião abriu uma garrafa de um grande Borgonha. Dantas pretendia apresentar-se como um misto de Barão de Mauá com Dom Bosco. Ouvi com devida cortesia. Quem me conhece, e sabe do meu currículo, certamente exclui a possibilidade de que eu tenha aproveitado a oportunidade para exigir minha parte em dinheiro. Mas, tempos depois, o orelhudo imaginou que eu fosse igual a tantos outros, e incumbiu a agência de publicidade de Luis Salles de divulgar em CartaCapital uma campanha do seu banco, articulada em vários anúncios. Perguntaram-me: aceitamos? Respondi: por que não? Se houver motivos, porém, voltaremos à carga contra ele. Logo houve motivos, e saiu mais uma capa de CartaCapital a exibir a imagem do orelhudo. A campanha foi imediatamente cancelada.
enviada por mino
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