Mino Carta - dirigiu as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, Istoé e CartaCapital, da qual é diretor de redação.


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05/06/2007 19:12

A verdade factual é bem outra

Decidi deixar para lá em relação a injuria sofrida em um artigo, ou reportagem, ou peça laudatória de estilo provençal, de autoria de certa Consuelo Dieguez. Que é uma a mais para São Sebastião? Mas esta, francamente, passa longe. Forçado à leitura indigesta do panegírico a Daniel Dantas, tropeço, lá pelas tantas, na informação correta (sim, encontrei Dantas, e ouvi cortesmente o que pretendia me dizer, embora sem acreditar em uma única, escassa palavra), seguida pela mentira. Eu teria solicitado anúncios, ele teria dado um, solitário. Em vão. CartaCapital continuou na ofensiva contra ele, diz Dantas à senhora Dieguez. Tadim, todos contra ele. Não estivessem, talvez o orelhudo já experimentasse o frescor da cadeia. Ah, sim, a mentira. É do conhecimento até do mundo mineral que nunca arquei com o papel de vendedor de espaço e que, em toda a minha longa carreira de profissional, jamais traí meus princípios e crenças. Quando trabalhava na Editora Abril, onde dirigia a redação de Veja, Victor Civita exclamou: “Todo homem tem seu preço”. Retruquei: “Eu não”. Aprendeu, tempos depois, que não era bravata minha. Nunca solicitei anúncios de ninguém, e muito menos o faria com Daniel Dantas. Deu-se, isto sim, como lembra o navegante Fernando Sandoval ao comentar meu post de ontem, que, por intermédio da agência de Luis Salles, a Brasil Telecom, então ainda na mão do banqueiro do Opportunity, começou a publicar em CartaCapital uma campanha articulada em vários anúncios. Avisei: isto não me obriga a coisa alguma. De fato, logo publicamos mais uma das nossas reportagens de capa sobre o orelhudo, e a campanha foi cancelada. Não recordo quantos anúncios chegaram a sair, creio, porém, mais de um. De todo modo, observo que a senhora Dieguez não se dignou a conhecer a minha posição a respeito. Isto não é jornalismo, assim como não é redigir o perfil jornalístico de figura pública sem anotar os prós e contras e ouvir amigos e desafetos. A senhora Dieguez não me procurou. Não é que, diante disso, padeça de câimbras na base da garganta e assista à destruição dos meus maxilares. Em Piauí milita Mario Sergio Conti, autor de um livro intitulado Noticias do Planalto, ex-redator chefe, e finalmente diretor da Veja, à época da primeira eleição presidencial direta pós-ditadura, quando a nau capitanea da Abril criou o celebre slogan: Collor, caçador de marajás. Noticias do Planalto é a infinda circumnavegação em torno da tese que os jornalistas forjaram a personagem Collor. Trata-se, obviamente, de uma interpretação tendenciosa. Collor foi, sim, o fio desencapado em que se agarraram os donos da mídia, um dos rostos do poder, para evitar a vitória do Sapo Barbudo. Os profissionais do jornalismo cuidaram é do serviço sujo, como soi acontecer. Queria acrescentar, no entanto, que, diligente investigador, Conti me procurou durante a feitura do livro para uma entrevista razoavelmente demorada. Verifiquei, ao lê-lo, que eu fora citado muitas vezes, e em várias passagens ele reproduzira as minhas palavras, ou o meu pensamento. Na hora, contudo, de contar a minha saída da Editora Abril, estampou a versão ignóbil do patrão: na direção da redação de Veja eu me tornei uma pedra no sapato abriliano e a famiglia Civita teve de me demitir. Não ficou claro se eu era irritadiço, intratável, atrabiliário, ou um resistente. A verdade factual é bem outra, sem negar que a pedra no sapato havia, e que por causa de Veja sob censura o ministro da Justiça, Armando Falcão, impedia a concessão de um empréstimo pedido pela Abril à Caixa Econômica Federal, de 50 milhões de dólares, para consolidar no Brasil dividas contraídas com instituições financeiras internacionais. Quem tiver dúvidas, pergunte ao Karlos Richbieter, então presidente da Caixa, obrigado a solicitar a aprovação do governo para autorizar um empréstimo “político”. Falcão, decidido a chantagear a Abril, exigiu minha cabeça para conceder o nihil obstat. Victor e Roberto Civita quiseram que eu tomasse decisões que não podia tomar. Houve entrevero áspero e eu, eu, me demiti. E recusei qualquer compensação financeira da famiglia. Eu não tive preço. A Abril teve: 50 milhões de dólares. Então valiam muito mais do que hoje.
enviada por mino






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