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14/06/2007 18:45

A constante crítica oficial

Alguém, do exterior e pelo telefone, contesta, não sem suavidade, minhas assertivas sobre arte (arte?) contemporânea, e se apressa a recordar que, ao surgirem em cena, os impressionistas foram condenados pela crítica oficial. O mesmo papel caberia hoje aos abstratos, em todas as suas infindas manifestações. Premissa: não condeno, pelo contrário, aprecio bastante Matisse, Picasso, Modigliani, Bracque, Morandi, Bacon, Freud e outros deste porte, e no Brasil Portinari, Pancetti, o primeiro Volpi, o primeiro Di Cavalcanti, e outros deste porte. Vamos aos impressionistas. Na época, foram revolucionários, como o foram, na Itália, os macchiaioli. De pincéis em riste, atacavam a retórica do academicismo, igual a Caravaggio contra os maneiristas. Ocorre que hoje está em pleno vigor o exato contrário, ou seja, a retórica da anti-retórica. Esta pseudo-arte celebrada neste instante em Veneza é o último sucedâneo dos maneiristas de 1500 e dos acadêmicos franceses do século XIX, em versão muito piorada. Tal é o oficialismo atual, comandado por meia dúzia de comerciantes, colocados no topo do mundo. E a eles obedecemos, sempre dispostos a ser colonizados, por submissão interesseira ou ignorância crassa.
enviada por mino






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